segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Aniversário de Itapê terá Michel Teló


Além do cantor, outras atividades estão programadas

Itapetininga completa 249 anos

          O cantor sertanejo Michel Teló será a grande atração das festividades alusivas ao 249º aniversário de Itapetininga, comemorado nesta terça-feira, dia 5.
          Segundo a Prefeitura, a festa começará a partir das oito horas, com hasteamento de bandeiras e desfile cívico na Avenida Marginal do Chá. Além do desfile oficial, a administração municipal programou uma série de atividades na Praça dos Três Poderes, em frente ao Paço Municipal. Serão 10 horas com várias atividades para as famílias de Itapetininga.


          A Prefeitura informou que “brinquedos para os pequenos estarão disponíveis em vários pontos da praça, que também contará com uma área destinada aos “food trucks” (transportes móveis que comercializam alimentação) e no palco principal, que será instalado no estacionamento da prefeitura, vários cantores regionais vão animar a público a partir das 10h. Às 20h, quem sobe ao palco para comemorar o aniversário de Itapetininga, será o cantor sertanejo Michel Teló (foto), um dos jurados do programa The Voice Brasil e também apresentador do quadro do Fantástico, Bem Sertanejo. Todos os shows serão de graça. A prefeitura de Itapetininga está preparando um local para que as famílias aproveitem e curtam este dia especial com toda a segurança. No local, haverá ambulatórios médicos e banheiros químicos. As ruas serão sinalizadas. Polícia Militar e Guarda Civil Municipal estarão na região para auxiliar motoristas e pedestres”.

Avenida Peixoto Gomide, na primeira metade do séculos passado

Fotos: Itapetininga (Mike Adas), Michel Teló (Divulgação), Itapetininga antiga (Arquivo)

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

Festas religiosas marcam final de semana

Haverá festividades em louvor a 
Nossa Senhora do Rosário e Nossa Senhora Aparecida



          A comunidade católica de Itapetininga terá um fim de semana repletos de festas religiosas, com a realização de quermesses, novenas e missas.
          Nesta sexta, sábado e domingo, prossegue a quermesse em louvor a Nossa Senhora do Rosário, realizada na área central da cidade. Nesta sexta-feira, dia 4, haverá missa solene celebrada pelo padre Júlio Campos, a partir das 19 horas. No sábado e domingo, as missas acontecem as 19 e 7h30, respectivamente, celebradas pelos padres José Benedito e Reinaldo. Na parte festiva, barracas oferecem doces, comidas e bebidas.

Padroeira do Brasil

          Desde a última quinta-feira, e até o próximo dia 12, O Santuário de Nossa Senhora Aparecida do Sul realiza a 16ª festa em louvor à Padroeira do Brasil, com a realização de novena diária (até o dia 11), quermesse e missas todos os dias.
          No dia 12 (sábado), Dia da Padroeira, serão realizadas cinco missas, a partir das seis da manhã. Também estão programadas romarias, carreatas e bençãos dos cavaleiros; haverá ainda a benção do bolo de Nossa Senhora. A missa de encerramento acontece a partir das 18h30, presidida pelo bispo diocesano dom Gorgônio Alves da Encarnação Neto.
          A Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, em Vila Camarão, também comemora o Dia da Padroeira com quermesse  e missas até o próximo dia 12.

quinta-feira, 3 de outubro de 2019

Um revolucionário chamado Jacob Bazarian

Filósofo armênio escolheu Itapetininga para morar e deixou sua marca na cidade

Jacob Bazarian

          Um cidadão do mundo! Esta podia ser uma das expressões para definir o filósofo e professor Jacob Bazarian. Desde sua infância, na Armênia, ele e sua família se viram obrigados a deixar seu lar. Os Bazarian fugiram da violência do exército turco, que invadiu a Armênia entre 1915 e 1918, matando cerca de 1,5 milhão de armênios e obrigado outros milhares a deixarem seus lares, entre estes, a família de JB.
          O filósofo costumava dizer que este foi o primeiro genocídio do século XX, o que é negado pela Turquia até hoje, mas reconhecido pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pelo Parlamento Europeu; o Brasil não reconhece o genocídio.
          A Armênia tentou resistir à invasão turca, desencadeando um conflito que só foi encerrado em 2 de dezembro de 1920, com a assinatura de um acordo de paz. Mesmo assim, milhares de armênios deixaram seu país, por causa da truculência dos turcos.
          Os Bazarian sentiram essa violência na pele: tiveram de deixar sua casa às pressas, conforme contou uma vez Karnig Bazarian, irmão mais velho de Jacob, pois os turcos incendiaram a casa da família, e todos tiveram de sair correndo; todos, menos o pequeno Jacob, que estava no berço. Foi o próprio Karnig que deu pela falta do irmão e voltou para busca-lo, entrando na casa em chamas para salvar o bebê.
          Karnig também lembrava da peregrinação de milhares de armênios pelo país, andando quase que sem destino, basicamente procurando comida. “Não tínhamos o que comer. Então chegamos em uma fazenda de cebola; entramos e começamos a comer as cebolas ali mesmo; foi assim que aprendi a gostar de cebola”, contava Karnig Bazarian.

Jornada
          Jacob Bazarian dizia que a família conseguiu ir para a Síria, onde ficou em um campo de refugiados. Depois, seguiram para o Líbano, França e Brasil. Seu pai, junto com o pequeno Jacob e os irmãos mais velhos partiram para o porto de Marselha, na França. Sua mãe ficou no Campo de refugiados na Síria. Quando chegou a hora de partir, ela não pôde: havia contraído tuberculose.
          Da França, o pai e o irmão mais velho, Karnig, vieram para o Brasil. Chegaram em São Paulo. Logo, começaram o trabalho de caixeiros viajantes, até se estabeleceram em Itapetininga, morando em uma casa à rua Saldanha Marinho e abrindo uma loja no Largo dos Amores, depois que toda a família foi reunida. Foi nesta lojinha, no final dos anos 20, que o menino Jacob desenvolveu o gosto pela leitura. “Ninguém entrava na loja entre duas e quatro da tarde”, contava o filósofo, que tomava conta do estabelecimento nesse horário e aproveitava para ler. Jacob Bazarian faleceu no dia 21 de janeiro de 2003, aos 84 anos. Se fosse vivo, completaria um século neste dia 2 de outubro. Mas o menino que pensou em ser médico por causa da doença da mãe e resolveu ser filósofo deixou sua marca na história da cidade. Veja agora alguns depoimentos de quem conheceu e conviveu com JB.

Mesma pensão
          O empresário Messias Ferreira Lucio conheceu o filósofo no começo dos anos 70, assim que chegou em Itapetininga. “Conheci Jacob Bazarian em 1973, quando fui morar em uma pensão onde o professor fazia suas refeições, lá também morava a Tata, que era sua secretária e foi, seguramente, sua grande paixão”, conta o empresário, acrescentando que “a partir do momento em que o conheci, tivemos uma convivência muita amiga e intensa em diversos segmentos da cidade: faculdade, imprensa, eventos culturais e criou-se uma grande amizade com o professor Jacob”.
          Ferreira Lucio Afirma que “seguramente o fato do professor ter passado sua infância em Itapetininga foi muito marcante para ele. Depois de suas andanças pelo mundo, tendo inclusive sido deputado na União Soviética, ele resolveu voltar para o Brasil e escolheu Itapetininga, onde ele já tinha um grande círculo de amizades, que foram marcantes em sua vida. Aqui foi a cidade que ele escolheu para morar”.

Sem extremismos
          O empresário também avalia que Jacob Bazarian não “concordava e nem aprovava nenhum extremo, nem da direita e nem da esquerda. Isto está claro no livro Mito e Realidade sobre a União Soviética”.
          Ferreira Lucio afirma também que “é inquestionável a contribuição do professor para o jornalismo e a cultura não só de Itapetininga, mas de toda a Região. Basta lembrar que, na sua época, ele fundou duas entidades (ligadas a esses segmentos), aliás, eu tive o prazer e a honra de participar com ele da fundação dessas entidades que defendiam a cultura e o jornalismo na Região”, relata o empresário, referindo-se à Ajori – Associação dos Jornalistas e Radialistas de Itapetininga e Região – e a Casa da Cultura de Itapetininga. “A época em que ele estava à frente dessas atividades foi uma época de ouro”, ressalta Ferreira Lucio.

Revolucionário
          Perguntado se, ao seu modo, JB foi um revolucionário, o empresário foi taxativo: “sem dúvida. Ele inovou, renovou padrões estabelecidos; foi muito ousado. Isto é ser revolucionário”.
          O filósofo também era famoso por se preocupar com um estilo de vida mais saudável: fazia atividade física e possuía receitas culinárias próprias, entre elas o famoso Ensopado Jacob Bazarian, feito em um imenso caldeirão, com vários ingredientes. Extremamente calórico, o ensopado dava um suadouro em quem experimentasse.
          Ferreira Lucio disse que não teve a oportunidade de saborear este prato, “mas me lembro de um jantar que durou sete ou oito horas. Foi em 1981 e eu era presidente do Diretório Acadêmico da FKB e convidamos o também professor, na época, Fernando Henrique Cardoso para uma palestra. Depois da palestra nós fomos jantar no Restaurante Carreta, que era em frente ao Restaurante Sacy, para comer um famoso lombinho que era – e ainda é – muito característico aqui em Itapetininga”.
          O empresário lembra que FHC viajaria em breve para a União Soviética. “O Jacob Bazarian era a pessoa que mais entendia de União Soviética no Brasil e o Fernando Henrique aproveitou a oportunidade para explorar, no bom sentido, todo o conhecimento que JB tinha do assunto. Nós chegamos ao restaurante por volta das 11 da noite e saímos as sete horas do dia seguinte. Amanhecemos lá. Foi uma conversa extremamente longa, tomando um bom vinho e saboreando o lombinho do Restaurante Carreta, do saudoso Bentico”.

Vovô Jacob
O jornalista Helio Rubens de Arruda Miranda foi um dos que experimentaram o famoso ensopado. “Ele costumava frequentar a minha casa e eu a dele. Meus filhos o tratavam como ‘Vô Jacob’ e não foram poucas as vezes em que comemos juntos refeições feitas com receitas dele”, lembra o jornalista, que se define como “aluno, admirador e feliz por termos tido, aqui em Itapetininga, convivido com tão brilhante personalidade que sempre se destacou culturalmente em todas as cidades por onde passou: São Paulo, Paris, Moscou e Erevan”.
          Miranda conta que conheceu o filósofo “logo depois que cheguei a Itapetininga, no final da década de 70. Meu primeiro encontro foi sintomático: ele, bravo, retrucou meu entusiasmo político e me ensinou como os opositores devem ser tratados. Desde então, só aprendi em todos os encontros que mantive com ele”.

Desilusão com o comunismo
          “Tenho por convicção que depois que visitou a Rússia e a Armênia Soviética, Jacob se desiludiu com o comunismo, doutrina política que sempre defendeu a vida inteira e, diante disso, voltou para Itapetininga, a verdadeira terra dele e onde se vivia melhor, mais livremente, do que nos países socialistas. Penso que JB atualmente estaria decepcionado também com o regime político do Brasil, pois ele era um verdadeiro democrata e renegava qualquer tipo de radicalismo, seja de direita como de esquerda”, afirma Arruda Miranda.
          O jornalista disse ainda considerar JB “a maior e mais importante intelectualidade de Itapetininga em todos os tempos. Além de escritor, ele era jornalista, palestrante, pesquisador, poeta, tradutor, ativista político, autor de receitas médicas e culinárias e um professor universitário notável, com larga experiência pessoal e intelectual”.
          Arruda Miranda também considera Bazarian revolucionário, mas ressalta “um revolucionário que nunca usou uma arma de fogo em sua luta por um mundo melhor. Foi um revolucionário que brandiu a espada dos pensamentos e a metralhadora das palavras”, finalizou o jornalista.

Homenagens
          Segundo o jornal eletrônico Região On Line (ROL) várias atividades estão programadas em comemoração ao centenário de nascimento de Jacob Bazarian.
          A Fundação Karnig Bazarian (FKB), que tem como patrono o irmão mais velho de JB, prepara uma palestra para o próximo domingo, dia 6. Ainda segundo o ROL, o MIS (Museu da Imagem e do Som de Itapetininga) deve realizar uma exposição sobre o filosofo, uma das primeiras personalidades a gravar depoimento para o museu. Também está prevista a confecção de um livro sobre a vida do filósofo, pela revista TOP da cidade, mas ainda não há data oficial para o lançamento da obra.

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Rua Dr. Coutinho volta a ter mão dupla

Mudança acontece a partir desta terça-feira

Cruzamento da Dr. Coutinho com Antonio Vieira de Moraes

A prefeitura de Itapetininga anunciou na última semana uma mudança no trânsito da rua Dr. Coutinho, um dos principais corredores de acesso de veículos da cidade. A partir desta terça-feira, a rua terá mão dupla de direção entre a Antônio Vieira de Moraes, nas proximidades do shopping da cidade, até a Avenida Wenceslau Bráz, próximo a uma padaria.  “No encontro destas vias, será feita uma rotatória para dar segurança para os condutores que descem a rua Alceu Cardoso e desejam acessar uma das ruas acima”, afirma a prefeitura, em nota. A dr. Coutinho já era de mão dupla há alguns anos.
De acordo com a secretaria de Trânsito, a alteração tem como objetivo oferecer mais agilidade no deslocamento e desafogar o trânsito das ruas José de Almeida Carvalho, Coronel Joaquim Leonel e Acácio de Moraes Terra. A medida irá trazer maior fluidez aos motoristas, moradores dos bairros, de condomínios da região e de empresas. Novas sinalizações horizontais (pintura de solo) e verticais (placas) também serão instaladas ao longo da pista para orientar os motoristas.
A Secretaria de Trânsito pede para que os motoristas e pedestres fiquem atentos as alterações e reduzam a velocidade. A Guarda Civil Municipal também estará no local.
Rua Dr. Coutinho


Fotos: Divulgação

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Menos de 10% dos municípios têm delegacias especializadas da mulher

Levantamento feito pelo IBGE aponta ainda que 
faltam serviços especializados de atendimento à violência sexual

Estudo traz perfil dos municípios

Em 2018, apenas 8,3% tinham delegacias especializadas de atendimento à mulher e 9,7% dos municípios brasileiros ofereciam serviços especializados de atendimento à violência sexual. A informação consta do Perfil dos Municípios Brasileiros (ano 2018), realizado pelo IBGE (instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e divulgado no último dia 25. O trabalho apresenta uma visão dos municípios brasileiros em vários segmentos, como saúde, assistência social e segurança, entre outros.
Segundo o estudo, o percentual de municípios com organismo executivo de políticas para mulheres caiu entre 2013 (27,5%) e 2018 (19,9%), chegando ao patamar de 2009 (18,7%). “Além disso, o percentual de municípios que contavam com casas-abrigo de gestão municipal para mulheres em situação de violência caiu de 2,5% em 2013 para 2,4% em 2018. Neste ano, 1.221 mulheres e 1.103 crianças foram atendidas pelas casas-abrigo, sendo que a principal atividade ofertada é o atendimento psicológico individual (74,5%). As creches são as atividades menos presentes nestas instituições (19,0%)”, afirma o IBGE.
Com relação a questão dos migrantes e refugiados, o instituto afirma que “dos 3.876 municípios nos quais se verifica a presença de migrantes/refugiados ou solicitantes de refúgio, apenas 215 oferecem algum dos serviços investigados. Apenas 48 municípios oferecem ensino de português, 25 possuem atendimento multilíngue nos serviços públicos e 58 contavam com abrigo para acolhimento”.

Assistência social e cultura
Ainda de acordo com o IBGE, “em 2018, 99,5% (5.540) dos municípios executavam algum serviço sócio-assistencial. Dentre eles, 99,8% (5.529) tinham pelo menos um serviço de proteção social básica e 82,4% (4.563), de proteção social especial”. Isto significa dizer que quase todos os municípios brasileiros desenvolvem algum tipo de atuação na área social.
O levantamento apontou também que 28.421 bens foram tombados através de legislação municipal em 2018, porém, “apenas 17,8% dos municípios transferiam recursos para bens tombados. O percentual de municípios com museus caiu de 27,2% em 2014 para 25,9% em 2018, e existência de biblioteca também caiu, passando de 97,1% para 87,7%. Além disso, as bibliotecas também foram as mais afetadas na queda da quantidade de municípios que desenvolveram programa ou ação para a implantação, reforma ou modernização de equipamentos, com uma redução de 44,2% para 36,9%”.

Saúde e educação
“Em relação à saúde, em 2018, havia 3.013 estabelecimentos municipais de saúde administrados por terceiros, sendo 58,3% administrados por organizações sociais. Em 55,3% dos municípios, os usuários da atenção básica eram encaminhados para outros municípios para realização de exames. Já no quesito internação, 60,7% dos municípios encaminhavam para outros municípios. Por outro lado, quando se trata de atendimento de emergência, 91,9% dos municípios dispunham desse serviço no próprio município”, afirma o IBGE
O estudo aponta também que a indicação política para cargos municipais é uma prática que afeta até a área da Educação, e ocorre na maioria das cidades brasileiras (69,5% ou 3.869 municípios). A boa notícia é que houve redução nas indicações políticas, se comparado com 2014, quando 74,4¨% dos municípios informaram terem feito este tipo de indicação para o cargo de diretor de escola da rede municipal. Por outro lado, o IBGE constatou que “houve aumento no percentual dos municípios cujos gestores municipais de educação tinham cursos de pós-graduação, passando 65,2% em 2014 para 69,6% em 2018”.

Inclusão produtiva e segurança alimentar
De acordo com o IBGE, “em 2018, 87,7% (4.886) dos municípios brasileiros informaram desenvolver alguma ação de inclusão produtiva, percentual inferior ao observado em 2014 (98,7% ou 5.499). Em relação à segurança alimentar, 63,3% (3.526) não possuíam órgão gestor da política de segurança alimentar e nutricional, percentual superior ao observado em 2014 (60,4% ou 3.363). Além disso, 78,2% dos municípios não tinham lei municipal de segurança alimentar e nutricional”

Emprego
A pesquisa contatou que a administração municipal, seja direta ou indireta, continua sendo um grande empregador, ocupando 6.531.554 pessoas, “um contingente equivalente a 3,1% do total da população do país e 3,2% superior ao observado em 2017. A existência de Plano Diretor foi informada por 51,5% (2.866)”.
O levantamento traz também dados sobre recursos humanos, legislação e instrumentos de planejamento, educação, cultura, saúde, assistência social, segurança alimentar, trabalho e inclusão produtiva, políticas para mulheres e instrumentos de gestão migratória. Veja mais informações no site do IBGE.

Fonte: IBGE

sábado, 7 de setembro de 2019

A independência precisa ser conquistada

Brasil ainda age como se fosse colônia



          Neste dia sete de setembro, o Brasil está completando 197 anos de independência, desde que Dom Pedro I deu o famoso grito às margens do córrego Ipiranga, em São Paulo.
          Entre idas e vindas, o nosso país parece que ainda não se desvencilhou completamente da sensação de ser uma colônia. Parece que o Brasil será sempre o país do futuro, embora esse futuro nunca chegue e, no presente, ainda engatinhamos como nação que busca um lugar no cenário político mundial. O Brasil parece que não consegue se descolar da imagem de eterna colônia e nação do terceiro mundo.
          Talvez o problema sejam as nossas lideranças, que parecem bem mais comprometidas com os próprios interesses (e lucros) do que com o futuro do país e de seu povo. Por outro lado, as nações ricas parecem fazer questão de lembrar ao Brasil de seu papel de eterno coadjuvante na história do mundo. Claro que há muitos interesses em jogo na política, seja na esfera nacional ou internacional, e ninguém gosta de perder poder ou influência.
          Mas o problema talvez seja que a sociedade brasileira – e o mundo todo – passa por profundas mudanças; transformações que acontecem com uma velocidade muito maior do que já se viu em outros momentos da história. E não estamos conseguindo acompanhar este ritmo.
          Nunca se gerou tanta riqueza como hoje, mas também nunca se concentrou tanto dinheiro e poder nas mãos de poucos. Vivemos em uma era que, graças a evolução tecnológica e à disseminação dos meios de comunicação e informação, todos sabem um pouco de tudo, e quase sempre sabem mal, superficialmente. É a era do “eu sei porque eu vi na internet”, mas ninguém (ou quase ninguém) procura checar a veracidade da informação. E muitos procuram informações que se ajustem ao seu modo de ver o mundo, quando o ideal seria deixar a mente aberta para novas ideias, ainda que, a princípio, não concordemos com tudo.
          Nessa era de informação e contrainformação (ou desinformação) o Brasil e o mundo carecem de lideranças que se preocupem com o ser humano, independentemente da cor de sua pele, religião, classe social e orientação sexual. Evoluímos tecnologicamente; agora precisamos evoluir humanamente.
          Um país é como uma pessoa: precisa crescer, amadurecer e ser independente, mas isso não significa que precisa passar por cima de tudo e de todos para alcançar seus objetivos.
          A independência (seja de uma nação ou de uma pessoa) deve ser conquistada e merecida. O caminho para isso é não se esquivar de suas responsabilidades, encarar suas limitações e admitir seus erros. Mas este caminho deve ser feito com respeito, sobretudo respeito ao outro, ao semelhante, ao próximo, e ao que pensa diferente de nós. A humanidade não sobreviverá enquanto permitir que pessoas morram em barcos de refugiados, simplesmente porque são refugiados pobres e famintos, ou quando mulheres e jovens são mortos em uma violência sem sentido.
          Caberá às novas gerações decidirem se querem continuar no caminho atual ou escolher outro, valorizando o ser humano, os animais e a natureza.

terça-feira, 6 de agosto de 2019

Violência letal contra a mulher no Brasil cresce 30% em 10 anos

Em 2017, mais de 4,9 mil mulheres foram assassinadas no país

Vítima de violência doméstica

          A edição 2019 do Atlas da violência traz um dado alarmante: os homicídios contra mulheres cresceram mais de 30% entre 2007 e 2017.  O documento é elaborado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e traz um retrato da violência em nosso país, uma situação que diz respeito à toda sociedade brasileira e que, além de interromper a vida dos mais jovens e fracos, custa mais de R$ 370 bilhões/ano aos cofres públicos. Nesta reportagem especial, você verá alguns desses dados, bem como a opinião de especialistas sobre a violência que atinge a mulher brasileira. Neste dia 7 de agosto, é comemorado o Dia Estadual da Lei Maria da Penha, considerada uma importante conquista no combate à violência contra a mulher.
‘         Segundo o Atlas, “houve um crescimento dos homicídios femininos no Brasil em 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia. Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas, o maior número registrado desde 2007”. Ainda de acordo o relatório, os dados foram obtidos junto ao Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, “e trazem importantes subsídios para compreender melhor o fenômeno da violência letal contra a mulher, ao trazer dados sobre as características das vítimas e sobre alguns aspectos situacionais relacionados aos incidentes”.

Evolução
          Em um dos seus tópicos, o relatório analisa “a evolução dos homicídios de mulheres nas unidades federativas (estados) e se, de fato, houve crescimento dos casos de feminicídios nos últimos anos, que têm chamado a atenção da mídia, dos operadores e dos pesquisadores sobre segurança pública no país”.
          Os pesquisadores do Ipea afirmam que foi constatado “crescimento expressivo de 30,7% no número de homicídios de mulheres no país durante a década em análise (2007-2017), assim como no último ano da série, que registrou aumento de 6,3% em relação ao anterior. A magnitude do fenômeno e de suas variações pode ser mais bem aferida em termos da taxa de homicídio por grupo de 100 mil mulheres, que permite maior comparabilidade temporal e entre as diferentes unidades federativas. Entre 2007 e 2017 houve aumento de 20,7% na taxa nacional de homicídios de mulheres, quando a mesma passou de 3,9 para 4,7 mulheres assassinadas por grupo de 100 mil mulheres. Nesse período, houve crescimento da taxa em 17 Unidades da Federação. Já no recorte de 2012 a 2017, observamos aumento de 1,7% na taxa nacional e um aumento maior ainda de 5,4% no último ano, período em que se verificam taxas ascendentes em 17 UFs em relação a 2016”.
          O crescimento contínuo da violência contra a mulher no período analisado fica ainda mais evidente, quando o levantamento é feito por estados, ou como o estudo diz, por unidade federativa. “Considerando o período decenal, Rio Grande do Norte apresentou o maior crescimento, com variação de 214,4% entre 2007 e 2017, seguido por Ceará (176,9%) e Sergipe (107,0%). Já no ano de 2017, o estado de Roraima respondeu pela maior taxa, com 10,6 mulheres vítimas de homicídio por grupo de 100 mil mulheres, índice mais de duas vezes superior à média nacional (4,7). A lista das unidades federativas onde houve mais violência letal contra as mulheres é seguida por Acre, com taxa de 8,3 para cada 100 mil mulheres, Rio Grande do Norte, também com taxa de 8,3, Ceará, com taxa de 8,1, Goiás, com taxa de 7,6, Pará e Espírito Santo com taxas de 7,5”.

Reduções
          Segundo o Atlas, “considerando-se as maiores diminuições decenais, Distrito Federal, Espírito Santo e São Paulo apresentaram as maiores reduções, entre 33,1% e 22,5%”. Nota da redação: os casos de feminicidio no Estado de São Paulo aumentaram em 2019, conforme levantamento feito pelo Portal G1. Veja texto nesta página

Destaque
Um dos destaques no item redução da violência contra a mulher é o estado do Espírito Santo. “O caso do Espírito Santo chama a atenção na medida em que até 2012, o estado aparecia como campeão na taxa de homicídios femininos no país. Embora tenha apresentado crescimento entre 2016 e 2017, parece ter havido uma redução consistente da violência letal contra as mulheres no estado, provavelmente reflexo das diversas políticas públicas implementadas pelo governo no período e que priorizaram o enfrentamento da violência baseada em gênero”, afirma o estudo.
Ainda segundo o levantamento, “no ano de 2017, o estado de São Paulo responde pela menor taxa de homicídios femininos, 2,2 por 100 mil mulheres, seguido pelo Distrito Federal (2,9), Santa Catarina (3,1) e Piauí (3,2), e ainda Maranhão (3,6) e Minas Gerais (3,7). Em termos de variação, reduções superiores a 10% ocorreram em seis Unidades da Federação, a saber: Distrito Federal, com redução de 29,7% na taxa; Mato Grosso do Sul, com redução de 24,6%; Maranhão com 20,7%; Paraíba com 18,3%, Tocantins com 16,6% e Mato Grosso com 12,6%”.

Feminicídio aumenta em SP
          Apesar de apresentar uma redução de quase 34% na taxa de homicídios por 100 mil habitantes entre 2007 e 2017, incluindo, como já vimos, os casos de violência letal contra a mulher, o estado de São Paulo experimentou um recrudescimento da violência de gênero no começo deste ano. Os casos de feminicídio aumentaram 76% no 1º trimestre de 2019 em São Paulo se comparados ao mesmo período do ano anterior, de acordo com levantamento feito pelo G1 e pela GloboNews. Nos primeiros três meses do ano, 37 mulheres foram vítimas de feminicídio. Em 2018, foram 21. Lembrando que o feminicídio é caracterizado quando a mulher é morta (assassinada) pelo simples fato de ser mulher.
Ao mesmo tempo, o número de homicídios de mulheres caiu no estado: de 119 para 97, queda de 18%. Enquanto no primeiro semestre de 2018, as vítimas de feminicídios representavam 17,5% do total de casos, neste ano, o percentual subiu para 38%.

Mais mortos do que em guerras
A violência no Brasil atualmente parece ser uma chaga que atinge toda a sociedade brasileira, não se limitando apenas aos jovens. Os números da violência contra a mulher, assustam e jogam por terra a imagem de país pacato e tranquilo. O que há de errado com o nosso país? Em 2017, batemos um triste recorde, com mais de 65 mil assassinatos. São números comparáveis aos de países em guerra. Só para se ter uma ideia, na Guerra da Síria, entre 2011 e 2017, mais de 330 mil pessoas morreram, o que dá cerca de 55 mil por ano, bem menos do que foi registado no Brasil em um único ano.
          A situação é alarmante. Especialistas lembram que por trás dos números estão vidas destruídas. Há muita informação na internet sobre o tema e. embora possa haver pequenas diferenças entre os números apresentados por diversas fontes (até porque muitos casos não são denunciados), o certo é que a violência vem aumentando no país e as mulheres estão entre as principais vítimas. Até a conceituada Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos, em uma tradução livre), afirmou em relatório divulgado no começo deste ano que a violência doméstica é “uma epidemia” no Brasil. Segundo a organização, há mais de 1 milhão de casos de agressões contra as mulheres pendentes na justiça brasileira. A HRW, porém, aponta a Lei Maria da Penha como um importante instrumento no avanço do combate a esta situação de violência.

Cultura Machista
          Para a psicóloga itapetiningana Regina Soares (CRP 06\14206), “nossa cultura machista ainda trata a mulher como um ser que serve para proporcionar prazer ao homem,  dar-lhe filhos, e que deve permanecer submissa  frente à hegemonia masculina .Diante desta perspectiva é comum para alguns homens desfazer-se das que contrariam a sua vontade, os enfrentam, se mostram protagonistas de sua trajetória pessoal e até mesmo se recusam  a permanecer  em relacionamentos abusivos. Ainda que de forma inconsciente muitos homens coisificam as mulheres e as matam motivados pelas dificuldades que enfrentam: diante do fato de serem rejeitados ou trocados por outro parceiro. Não suportam a frustração de perderem o território e o domínio sobre a mulher”.
          Segundo a psicóloga, o estremecimento da relação homem-mulher, o estresse da vida moderna e a desvalorização da vida são fatores que contribuem para a violência contra a mulher, mas ela ressalta que “não são apenas estes. A postura de algumas doutrinas que pregam a obediência e a submissão da mulher, contribuem para o empoderamento do masculino, favorecendo o sentimento de posse, investindo o homem do poder de decidir sobre a vida ou morte de suas parceiras. Nossa sociedade forma cidadãos violentos e a atitude violenta é uma característica reconhecida como masculinidade e virilidade. Não podemos deixar de lado o uso abusivo do álcool e outras substâncias psicoativas consumidas pelo parceiro que potencializam o comportamento agressivo de muitos homens”
          Regina Soares argumenta ainda que o machismo “com certeza é uma das causas da violência contra a mulher” e que a sociedade deve “refletir sobre a reprodução da cultura machista de desrespeito em relação a mulher. A família, escola, igrejas devem propor o respeito entre homens e mulheres, mostrando que a frustração faz parte da vida e que a recusa do outro frente as nossas necessidades tem que ser respeitada e não afrontada. Ainda, que as diferenças são essenciais para evoluirmos e não motivo para eliminarmos o outro que nos contrariou”

Sinais
          A psicóloga aponta sinais que podem identificar se uma mulher é vítima de abuso ou violência. “São comuns características como: isolamento social, depressão, desculpas constantes diante de marcas em seu corpo, choro sem motivo aparente, medo de falar na presença do parceiro, entre outros”.

Políticas públicas
           Na opinião de Regina, “as políticas públicas na sua maioria estão voltadas muito mais para o público feminino do que para o masculino. Raramente vemos homens em rodas de conversa discutindo questões como desemprego, educação dos filhos, dificuldades conjugais, planejamento familiar, resolução e mediação de conflitos sem o uso da violência. Estas questões são reconhecidas como pertencentes ao universo feminino apesar de o homem ter participação direta em todos elas”.

Quem é Maria da Penha

          A mulher cuja trajetória de vida e luta contra a violência doméstica inspirou a criação da lei que leva o seu nome é Maria da Penha Maia Fernandes (foto), nascida em Fortaleza, no Ceará e atualmente com 74 anos.
          Maria da Penha é farmacêutica bioquímica e se formou na Faculdade de Farmácia e Bioquímica da Universidade Federal do Ceará em 1966, concluindo o seu mestrado em Parasitologia em Análises Clínicas na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo em 1977.
          Foi quando estudava na USP que ela conheceu seu futuro marido e algoz por quase 20 anos, o colombiano Marco Antonio Heredia Viveros, na época pós-graduando em economia. Eles se casaram em 1976 e Viveros demonstrava ser bom e gentil, uma situação que mudou radicalmente quando nasceram duas das três filhas do casal, quando a família já morava em Fortaleza.
          Assim como em outras histórias semelhantes, o marido foi ficando violento e agressivo, inclusive com as filhas. O clímax da tortura matrimonial de Maria da Penha ocorreu em 1983, quando ela levou um tiro pelas costas, enquanto dormia, disparado por Marco Antonio Viveros. O disparo a deixou paraplégica. Na época, o marido disse que tinha sido uma tentativa de assalto que não tinha dado certo, mas a versão foi desmentida pela perícia.
          Quando Penha voltou para a casa, quatro meses depois, ele a manteve em cárcere privado por 15 dias e tentou eletrocutá-la durante o banho. Maria da Penha sobreviveu a tudo isso, saiu de casa com a ajuda de amigos e iniciou uma batalha judicial em busca de justiça, mas por duas vezes seu marido escapou de cumprir sentença em regime fechado, graças a supostas falhas processuais.
          O caso foi parar na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos (CIDH/OEA). Em 2001, o Estado brasileiro foi considerado omisso, negligente e tolerante em relação à violência doméstica contra as mulheres. A comissão estabeleceu recomendações que o governo brasileiro deveria seguir.
          Em 2002, um consórcio de instituições feministas elaborou uma lei de combate à violência doméstica e familiar. O projeto foi aprovado por unanimidade no congresso (Câmara dos Deputados e Senado) e sancionada pelo então presidente Lula em agosto de 2006.

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