quarta-feira, 15 de maio de 2019

Comunidade realiza festa

Entre as atrações, pratos como bolinho de frango e pizza



          A comunidade Nossa Senhora do Sagrado Coração, no Jardim Fogaça (Itapetininga) realiza até o próximo domingo, 19, festividades em louvor da padroeira.
          A parte religiosa da festa conta com uma novena (iniciada dia 9) e missas nesta quarta, quinta e sexta-feira, a partir das 19h30. No sábado, 18, haverá procissão, a partir das 18 horas, e santa missa com a coroação de Nossa Senhora do Sagrado Coração. No domingo, um almoço beneficente a partir das 12 horas encerra a festa.
          Na parte recreativa, durante toda a semana haverá venda de bolinho de frango, pizzas, doces e refrigerantes. A comunidade de Nossa Senhora do Sagrado Coração fica à rua Professora Maria Diniz Vieira de Souza, 500, no Jardim Fogaça.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Autor volta com nova peça após intervalo de 10 anos

Rogério Sardela fala sobre sua nova montagem

Autor mostra texto da nova peça

          Após um intervalo de uma década, o ator, autor teatral e jornalista Rogério Sardela, de 45 anos, está de volta com uma nova montagem. A peça, cujo elenco foi definido recentemente, trata do cotidiano do trabalhador brasileiro. Uma realidade que Sardela conhece bem já que, por opção pessoal, não se limitou às atividades culturais e exerceu várias profissões em diferentes segmentos. Uma experiencia que ele garante ter sido enriquecedora e importante ajuda para escrever seus textos.
          Nesta montagem intitulada O Salvador da Casa, Sardela, além de ser o autor, também dirige e atua. A comédia deve estrear em setembro deste ano.
          Rogério Sardela falou com exclusividade para o Marconews sobre este novo projeto, sua paixão pelo teatro e sobre o desejo de viver de cultura em um país como o Brasil. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.

Paixão

Marconews - O que é o teatro para você? Como surgiu essa paixão?

Rogério Sardela - O teatro - uma das mais antigas formas de expressão do ser humano, uma vez que tem como principal base o próprio corpo. Para mim o teatro é não ter pudores, a oportunidade de vivermos uma vida que não é da gente. No popular, o ator empresta seu corpo para a personagem, como se outro alguém se manifestasse através dele, não mesmo? Minha primeira experiência se deu por volta de 1990/1991, quando fiz figuração na Paixão de Cristo, dirigida pelo saudoso Antonio Balint (diretor de teatro itapetiningano já falecido), mas um pouco antes, havia assistido ‘As Desgraças de Uma Criança’, de Martins Pena, no Clube Recreativo Itapetiningano. De alguma forma aquilo ficou marcado.

Marconews - Há quanto tempo você escreve peças e participa de montagens?
Rogério Sardela - Oficialmente desde 1993 como ator. O lado escritor de peças a partir de 1996.
Marconews - Você disse recentemente que passou por várias experiências profissionais. Esta pluralidade de experiencias o ajuda no trabalho de escrever peças?
Rogério Sardela - Sim. O fato de ter trabalhado em diferentes áreas inspira na criação de personagens, seja de minha própria obra ou na composição de vidas escritas por outros escritores. Fatos do cotidiano, verídicos ou não, também podem servir de ponto de partida para algum momento do autor/ator.
 
Rogério com o filho, Fernando
Marconews - É possível viver da Cultura no Brasil? E no seu caso, viver do teatro?
Rogério Sardela - Pergunta muito difícil de ser respondida, pois o artista no Brasil, com exceção de cantores e atores midiáticos, muitas vezes trabalha por ‘amor à arte’, mas não se pode esquecer que por trás da personagem está o ator, que antes de estar no teatro, é cidadão comum, pai de família, solteiro, enfim, alguém que também batalha para o seu sustento e paga suas contas. O momento no palco pode ser mágico, mas ninguém vive só de aplausos. Gostaria de viver de teatro, mas sei que a realidade é outra. Não digo que seja impossível. Cada um tem seu ponto de vista.

Marconews - Depois de um intervalo de uma década, você voltou a escrever. Por que esse período tão grande de intervalo? E por que decidiu voltar agora?
Rogério Sardela - O último texto foi em 2009 – o monólogo ‘Revelações de Um Cinquentão’, encenado em 2010. De lá para cá fui fazer outras coisas. Nunca me limitei a ser apenas jornalista, ator ou escritor. Queria mais. Então neste intervalo passei no concurso para ser Conselheiro Tutelar (que durou até 2015, quando terminou o mandato). Mesmo enquanto estava como conselheiro, entre 2012 e 2013 me profissionalizei como Técnico em Segurança no Trabalho. Em 2016 fui assessor de imprensa do Clube Recreativo Itapetiningano, mesmo ano em que disputei as eleições para vereador. Havia iniciado algumas linhas de meu novo texto para o teatro, mas com a loucura das eleições, parei com o texto, já que o foco era outro. A falta de tempo me tirou o ‘tempo’ para o teatro. Não fiquei ausente porque quis. É curioso e ao mesmo tempo gratificante que mesmo estando tanto tempo fora dos palcos, em 2018 recebi vários convites para participar de peças, como do Paulinho Carriel, Angelo Ricchetti e Fábio Jurera.

Marconews - Do que trata a peça que está montando? Como está o trabalho de captação de recursos para a montagem? Já tem elenco escolhido? Quando é a estreia?
Rogério Sardela- A peça retrata o cotidiano do brasileiro, especialmente a classe trabalhadora. Neste caso, tudo acontece numa república, onde três homens sem qualquer parentesco expõem as dificuldades enfrentadas para ganhar o pão de cada dia. Um deles vive de bicos e do Bolsa-Família. O outro é professor em escola estadual e o terceiro vendedor em lojas de calçados, além de ser fã incondicional de Michael Jackson. É uma comédia, que cita inclusive coisas e pessoas de Itapetininga. O ponto alto da história será o final. Daí a justificativa para o título da peça ‘O Salvador da Casa’. O trabalho para captação de recursos vai começar, mas para isso é preciso programação, inclusive de estreia. Sim, já tenho o elenco. Além de mim, que estarei dirigindo e atuando, tem também a participação dos atores Magnus Machado, Sérvulo Santos e José Ferreira. O espetáculo deve estrear no máximo em Setembro.

Marconews - Se pudesse, o que faria para impulsionar/incentivar a cultura em Itapetininga e Região?
Rogério Sardela - Nossa cidade merece o seu tão sonhado teatro municipal. Como disse em outra ocasião, o que existem são espaços improvisados, não desmerecendo nenhum, e o teatro do Sesi, maravilhoso, mas privado. Balint dizia que lutaria com os grupos para que Itapetininga fosse conhecida como a ‘Terra do Teatro’, assim como Tatuí é a ‘Terra da Música’. Se pudesse lutaria para conseguir esse título (e é possível), levaria o teatro para a periferia, para todas as escolas. Como diz a canção, ‘o artista tem de ir aonde o povo está’, mas sozinho não se faz nada. É preciso parcerias, oferecer condições.

Marconews - Como avalia a política cultural em Itapetininga?
Rogério Sardela - Em termos de teatro os grupos estão trabalhando e levando Cultura para a população. Muito já foi feito para que o cidadão vá ao teatro, mas ainda existe uma certa resistência, aquela velha conversa: ‘não gosto de teatro’. Acho um absurdo, como se as telenovelas não fossem feitas por atores, só diferindo na forma de transmissão. As novelas são gravadas. O teatro é ao vivo.

Texto: Marco Antonio
Fotos: Arquivo pessoal

sábado, 11 de maio de 2019

Ser mãe: muito além das fraldas e banhos

A maternidade é uma missão divina



          Quem nunca ouviu a frase: ser mãe é padecer no paraíso. Uma afirmação que, segundo a sabedoria popular define bem o papel de mãe, com as dificuldades, alegrias, tristezas e benefícios de ser mãe.
          Mesmo com a evolução da sociedade e a conquista de mais espaço e direitos por parte das mulheres, a maternidade parece ser a principal vocação da maioria das mulheres, senão de todas. E ser mãe (assim como pai) é um trabalho para a vida toda, 24 horas por dia. Ninguém bate o ponto depois da jornada e descansa das tarefas de mãe e pai, simplesmente porque estas tarefas não cessam.
          E ser mãe na sociedade moderna parece ser ainda mais desafiador, já que as mulheres, merecidamente, almejam os mesmos direitos dos homens, conciliando trabalho, as atividades domésticas e o papel de mãe.
          Ser mãe é estar disposta a sacrificar a própria vida pelo filho. Não é à toa que uma leoa ou uma ursa com seus filhotes estão entre os animais mais perigosos do planeta. Se você dúvida, tente tirar um ursinho de perto de sua mãe. Mas você não precisa ir tão longe para certificar-se do amor materno; basta olhar nos olhos de sua mãe.
          Por isso o Dia das Mães é uma data muito comemorada: para nos lembrar daquela pessoa nos ama acima de sua própria vida, ainda que nós não damos a este pessoa a devida importância, ainda que nos esqueçamos de dizer Eu te amo mãe enquanto ela está fisicamente conosco; ainda que nos esqueçamos dela quando mais precisa de nós, com a chegada da velhice.
          Por isso abrace a sua mãe neste dia (e em todos os dias de sua vida) e comemore com ela sempre que puder. Afinal, vocês serão filho(a) e mãe para sempre.

Dom e missão
          “Para mim, ser mãe é um dom. E sendo um dom, torna-se um serviço, uma missão dada por Deus. Por isso, em todos os momentos posso contar com a certeza de que Ele me capacita e fortalece”. A frase é da jornalista Andrea Vaz, 33 anos. Mãe de Luiz Henrique, de 1 ano e 7 meses.
          Ela acrescenta ainda que “a maternidade me ensinou a levar as dificuldades com bom humor: a bagunça na hora da refeição, um serzinho saindo pelado pela casa na hora do banho, fugindo da cama na hora de colocar fralda, o constante atraso nos compromissos e as saídas sempre esquecendo coisas. (algumas importantes como: cartão de saúde, CNH, documento do carro, chave de casa). A parte dolorida são os momentos em que simplesmente não sabemos como agir ou quando não podemos fazer nada para diminuir o sofrimento de nosso filho. Nessa hora, novamente é necessário olhar para Deus, refazer as forças e seguir. A frustração que a sensação de não estarmos fazendo o correto sempre vem, mas não podemos nos esquecer nunca de que só damos para nosso filho tudo o que temos e somos de melhor”, afirma Andrea.
         Em almoço realizado na última semana, no Espaço da Melhor Idade, a prefeitura de Itapetininga homenageou as mães em geral, mas de maneira especial as mães da terceira idade.

Evento marcante
Prefeita Simone com mães durante almoço

O almoço marcou a rotina de dona Maria de Lurdes Antunes. Sempre está ali, no Espaço da Melhor Idade, convivendo com mais outras 200 mulheres. Neste dia, foi diferente. Ela parou por alguns minutos para contar que a experiência em ser mãe significa ter paciência e transmitir o que tem de melhor.
Mãe de quatro filhos. Avó de sete netos e carrega quase que diariamente, no colo, o bisneto de quatro meses. “Ser mãe é gostoso. Ser avó é uma delícia e ser bisavó, é uma maravilha. Me sinto completa”, disse emocionada.
Outra frequentadora assídua das alegres atividades, que são desenvolvidas no Espaço da Melhor de Idade,  também parou para conversar: dona Vera Lúcia Domingues. O sonho dela sempre foi ser mãe e realizou. “Eu sempre falava para minha mãe que o meu sonho era ser mãe. Não queria envelhecer sozinha e realizei esse desejo. Tenho um filho que significa tudo na minha vida”, enfatizou Vera.
Para completar toda essa festa em homenagem para as mamães, a prefeita Simone Marquetto cumprimentou cada uma das mulheres. “Um dia que me emociona muito. Sou mãe e tenho à minha frente, a minha mãe, dona Izair. Este é um momento onde somos acolhidas com amor. Desejo todas as bênçãos a cada uma que está aqui e, também, para todas as mamães de Itapetininga”, enfatizou a chefe do Executivo.

Significado
No Brasil, o Dia das Mães é comemorado sempre no segundo domingo de maio (de acordo com decreto assinado em 1932 pelo presidente Getúlio Vargas). Já se tornou uma tradição esta data comemorativa.

História do Dia das Mães
Encontramos na Grécia Antiga os primeiros indícios de comemoração desta data. Os gregos prestavam homenagens à deusa Reia, mãe comum de todos os seres. Neste dia, os gregos faziam ofertas, oferecendo presentes, além de prestarem homenagens à deusa.
Os romanos, que também eram politeístas e seguiam uma religião muito parecida com a grega, faziam este tipo de celebração. Em Roma, durava cerca de 3 dias (entre 15 a 18 de março). Também eram realizadas festas em homenagem a Cibele, mãe dos deuses.
Porém, a comemoração tomou um caráter cristão somente nos primórdios do cristianismo. Era uma celebração realizada em homenagem a Virgem Maria, a mãe de Jesus.
Uma comemoração mais semelhante a dos dias atuais podemos encontrar na Inglaterra do século XVII. Era o “Domingo das Mães”. Durante as missas, os filhos entregavam presentes para suas mães. Aqueles filhos que trabalhavam longe de casa, ganhavam o dia para poderem visitar suas mães. Portanto, era um dia destinado a visitar as mães e dar presentes, muito parecido com que fazemos atualmente.
Nos Estados Unidos, a ideia de criar uma data em homenagem às mães foi proposta, em 1904, por Anna Jarvis. A ideia de Anna era criar uma data em homenagem a sua mãe que havia sido um exemplo de mulher, pois havia prestado serviços comunitários durante a Guerra Civil Americana. Seus pedidos e sua campanha deram certo e a data foi oficializada, em 1914, pelo Congresso Norte-Americano. A lei, que declarou o Dia das Mães como festa nacional, foi aprovada pelo presidente Woodrow Wilson. Após esta iniciativa, muitos outros países seguiram o exemplo e incluíram a data no calendário. 
Após estes eventos, a data espalhou-se pelo mundo todo, porém ganhando um caráter comercial. A essência da data estava sendo esquecida e o foco passou a ser a compra de presentes, ditado pelas lojas e pelo marketing, com objetivos meramente comerciais. Este fato desagradou Anna Jarvis, que estava muito desapontada em ver que o caráter de solidariedade e amor da data estava se perdendo. Ela tentou modificar tudo isso. Em 1923, liderou uma campanha contra a comercialização desta data. Embora com muita repercussão, a campanha pouco conseguiu mudar.

Fonte: site suapesquisa.com

quinta-feira, 9 de maio de 2019

Saiba o que é Recall e porque você deve fazê-lo

Procedimento visa garantir direitos
 do consumidor contra defeitos em vários produtos

Informações sobre Recall podem ser obtidas no ssite do Procon

O Recall é um procedimento previsto em lei e que visa garantir que fornecedores de diversos produtos chamem consumidores que adquiriram unidades com problemas de fabricação para que levem seus produtos para que sejam reparados gratuitamente.
 Esta iniciativa, no caso das montadoras de veículos, busca solucionar problemas detectados em modelos recém lançados. Empresas chamam proprietários quando há inconformidade com o produto e esta inconformidade coloca em risco a saúde e a segurança do consumidor.
     Segundo técnicos, esta inconformidade é detectada em testes realizados continuamente, antes e depois do lançamento do automóvel. Conforme a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), assim que esta inconformidade (ou problema) potencialmente perigosa é detectada, as montadoras emitem um alerta, geralmente em anúncios nos meios de comunicação, alertando os proprietários desses veículos para que levem seus carros para uma concessionária autorizada, para que o problema seja sanado.
          Desde 2002, o Procon-SP disponibiliza em seu site um ícone onde os interessados podem saber se, não apenas o automóvel, mas produtos como brinquedos, eletrodomésticos, e até medicamentos, precisam passar por Recall.

O que significa Recall?
           Em seu site, o Procon explica que “a palavra recall, de origem inglesa, é utilizada no Brasil para indicar o procedimento, previsto em lei, e a ser adotado pelos fornecedores, de chamar de volta os consumidores em razão de defeitos verificados em produtos ou serviços colocados no mercado, evitando, assim, a ocorrência de acidentes de consumo”.
          Ainda segundo o Procon, este chamamento, ou Aviso de Risco, “tem por objetivo básico proteger e preservar a vida, saúde, integridade e segurança do consumidor, bem como evitar prejuízos materiais e morais. A prevenção e a reparação dos danos estão intimamente ligadas, na medida em que o recall objetiva sanar um defeito, que coloca em risco a saúde e a segurança do consumidor, sendo que qualquer dano em virtude desse defeito será de responsabilidade do fornecedor. Nos termos do Código de Defesa do Consumidor, a responsabilidade do fornecedor é objetiva, independente da existência de culpa (art. 12 a 14 da Lei 8.078/90)”.

Outros objetivos
          Ainda segundo o órgão de proteção ao consumidor, “o Recall visa, também, a retirada do mercado, reparação do defeito ou a recompra de produtos ou serviços defeituosos pelo fornecedor. O Recall deve ser gratuito, efetivo e sua comunicação deve alcançar todos os consumidores expostos aos riscos. Por isso a legislação exige que o fornecedor faça o comunicado de forma mais ampla possível, divulgando o Recall em jornal, rádio e TV”

A importância de atender ao chamamento
O Procon ressalta que “para garantir a sua própria segurança e a de terceiros, é muito importante que o consumidor atenda ao chamado do fornecedor o mais rápido possível, para evitar a concretização de possíveis acidentes de consumo, embora não haja data limite para a realização dos reparos ou substituição dos produtos defeituosos. Feito o reparo, o consumidor deve exigir e guardar o comprovante de que este foi realizado. Em caso de venda do bem (por exemplo, automóvel) deverá repassar esse documento para o novo proprietário”.

Banco de dados
          O Procon mantem um banco de dados desde 2002, junto à diretoria de fiscalização (responsável pelo monitoramento do Recall), que abrange os seguintes segmentos: 1) Veículos; 2) Peças e Acessórios Automotivos; 3) Produtos Infantis; 4) Produtos para a Saúde; 5) Alimentos e Bebidas; 6) Informática; 7) Eletrodoméstico/ Eletroeletrônicos; 8) Higiene e Beleza; 9) Domissanitários; e 10) Outros; criados desta forma por uma questão metodológica. Para conferir se um determinado produto está sendo ou foi objeto de recall, faça sua busca pelo nome do fornecedor ou digite a marca/modelo do produto. Em seguida clique no ícone resumo do recall para ver o texto completo e outros dados. Você pode também fazer uma busca pelos recalls mais recentes que listará os dez últimos recalls divulgados no Brasil.

Relatórios
Estão disponíveis para pesquisa alguns relatórios quantitativos e qualitativos de acordo com a data desejada, a partir de 2002. Para visualizar, basta clicar no nome do relatório desejado. Todos os dados lançados no Banco são fornecidos por meio de documentos enviados pelas empresas em cumprimento de notificação, ou espontaneamente, ou por relatórios periódicos de acompanhamento das campanhas Os dados são atualizados diariamente, porém pode haver uma defasagem de um dia na sua visualização devido à natureza de alimentação do sistema. As empresas também estão sendo instadas a atualizar os números de atendimento de suas campanhas de recall.

E se não fizer o Recall do carro?
O cliente com o carro convocado para um Recall deve levar seu carro para que o problema seja resolvido, para a sua própria segurança. No entanto, não há um prazo determinado, o que dá liberdade para você escolher quando solicitar o serviço. Se você não mandar o carro para o Recall nenhum ônus recairá sobre você. A montadora é proibida de fixar punições por conta do não comparecimento ao Recall, já que é um problema da própria empresa e não do cliente.
A fabricante não deveria nunca ter colocado um veículo no mercado com falhas que podem resultar em perigo ou falta de segurança ao cliente.
Em casos atípicos, o cliente poderá detectar um defeito e ficar em dúvida sobre se é ou não é caso de Recall. Neste caso, é importante entrar em contato com a montadora ou concessionária e levar o veículo até uma oficina credenciada para que um laudo oficial seja emitido.
No entanto, se algum acidente ou problema grave acontecer e se for comprovada a publicidade maciça da montadora para convocação com o Recall, tanto a montadora quanto o proprietário do veículo poderão ser responsabilizados..

Fonte: Procon-sp

terça-feira, 30 de abril de 2019

Profissões promissoras para o futuro

Perspectiva de melhora no mercado de trabalho abrange novas profissões

Tire suas dúvidas sobre qual profissão escolher

Tecnologia, marketing e finanças. Estas são algumas das áreas com boas perspectivas para o mercado de trabalho em 2019. São cargos e profissões de média e alta gerência, nível técnico e suporte à gestão, como analistas.
Estudos apontam ainda que empregos na área de saúde voltam a estar em alta, após um período de três anos. Especialistas esperam que este ano haja mais investimentos no país, com o aporte de capital estrangeiro, o que contribuiria para alavancar algumas profissões.
O setor de tecnologia deve seguir firme e forte no Brasil, assim como no resto do mundo, mas especialistas evitam prognósticos sobre outros segmentos da economia, entretanto, algumas profissões são promissoras, como já dissemos.

Profissões e áreas
          No segmento bancário e financeiro, o cargo de gerente de parcerias e canais, com atuação na criação de estratégias para atingir metas de produtos e serviços, deve ser a bola da vez, com salários entre R$ 15 e R$ 20 mil mensais. Ainda no segmento de finanças e tributos, o cargo de gerente de planejamento financeiro será um dos mais requisitados. Sua função é fazer ou participar da elaboração do orçamento da empresa e da projeção de seus resultados, além de ser importante para encontrar novos negócios. O salário pode chegar a R$ 25 mil. Nos dois casos, a retomada do mercado é a principal mola propulsora das profissões.
          Para quem gosta de leis e pretende cursar Direito ou mesmo quem já é advogado, a dica é a especialização em disputas jurídicas (contencioso), junto a empresas. O salário também pode chegar a R$ 25 mil. Ainda na área jurídica, o advogado que atua como compliance, instituindo normas de governança, definindo limites de conduta para profissionais e a empresa, entre outros temas, também está em alta, com salários entre R$ 25 e R$ 70 mil. O termo vem do inglês - verbo to comply - e significa cumprir, obedecer.
          Nas áreas de marketing e digital, o gerente de marketing e performance pode chegar a ganhar até R$ 15 mil. Sua função é direcionar o investimento da empresa ao melhor canal para o seu negócio. Baseando-se em resultados e ações de mercado e performance.
          Na área de Recursos Humanos (RH) um consultor sênior pode chegar a receber salário de até R$ 35 mil. Sua tarefa é analisar as decisões estratégicas nas contratações de profissionais e das melhores práticas de recursos humanos.

Saúde
          O profissional da área deve voltar a viver um bom momento na carreira, principalmente para quem atua na gerência ou como representante de vendas em empresas do setor. O momento é bom, pois as companhias estão focadas em melhorar seus resultados comerciais. O salário começa em R$ 5 mil (representante de vendas) e pode chegar a R$ 25 mil (gerente). Ainda no segmento empresarial, um gerente de qualidade de uma indústria do setor de medicamentos pode obter salário entre R$ 17 e R$ 25 mil. Este profissional tem entre suas funções a implantação do Sistema de Boas Práticas nas empresas, que é um protocolo de ações fundamentais que vão desde a instalação da indústria até a correta descrição dos procedimentos para fabricação dos medicamentos.

Tecnologia da informação
          Estamos vivendo uma era muito tecnológica e é por esta razão que profissionais deste segmento estão entre os mais cotados nos próximos anos. Cientistas e/ou engenheiros de dados podem ganhar entre R$ 9 e R$ 18 mil. Seu trabalho consiste em criar soluções complexas que visam captar, analisar e enxergar tendências futuras em dados (informações).
          Especialistas explicam que, após a onda de transformação digital ocorrida no Brasil em 2018, estas carreiras despontaram definitivamente no mercado de trabalho.
          Dinamizar site de diversas plataformas a partir de linguagens de programação e deixar as informações visíveis aos usuários. Esta é, basicamente, a tarefa do desenvolvedor back end, outro profissional de era da informação que estará em alta neste ano e nos próximos. Seu salário pode chegar a R$ 13 mil. No mesmo segmento, o desenvolvedor mobile, cuja função é criar, programar e reparar aplicativos para celulares e tablets, entre outros dispositivos móveis, também está em alta. Seu salário pode chegar a R$ 17 mil.

Vendas
          Com o mercado cheio de expectativas, profissionais de vendas voltam a ser requisitados. O gerente comercial com atuação em vendas indiretas (junto a distribuidores e revendas) pode ganhar até R$ 25 mil mensais, mais bônus e comissões. Já um gerente de desenvolvimento de negócios, responsável por definir a política e a estratégia de negócios da empresa, buscando também novas frentes de atuação e clientes, pode receber até R$ 18 mil, mais bônus e comissões.

Nível técnico e suporte
          Cargos de nível técnico e suporte à gestão também estão com boas perspectivas para o futuro. São funções que ganham importância no atual momento econômico e com salários a partir de R$ 7 mil. Analista de controladoria sênior (atuação em multinacionais), analista de produtos, analista de recursos humanos especializado em criar remuneração e gerente de manutenção estão entre essas profissões.

Veja matéria completa na edição de maio da revista Hadar

sábado, 13 de abril de 2019

Domingo de Ramos marca o início da Semana Santa

Comunidade católica revive a Paixão e Morte de Cristo



          Neste domingo, 14, católicos de todo o mundo iniciam as comemorações da Semana Santa, que relembra os últimos dias de vida de Jesus Cristo, desde a sua entrada na cidade de Jerusalém, até a sua crucificação na Sexta Feira Santa e ressureição no Domingo de Páscoa.
          Na comunidade São Joaquim e Sant’Ana, em Itapetininga, as comemorações começam às 10 horas deste domingo, com missa solene, procissão e benção de ramos. Na segunda-feira, 15, haverá celebração penitencial na comunidade, a partir das 19h30.
          Na quarta-feira, 17, a partir das 19 horas, aconrece a Santa Missa dos Santos Óleos, na Catedral Nossa Senhora dos Prazeres, na área central da cidade. Na quinta-feira, 18, a partir das 19h30, será realizada a Missa da Ceia do Senhor, com a Cerimônia do Lava pés, trasladação e adoração do Santíssimo Sacramento.
          Na Sexta Feira Santa, às 15 horas, será realizada a celebração da Paixão de Cristo; no Sábado Santo, a partir das 19h30, acontece a Procissão do Círio Pascal, com a Benção do Fogo Novo, Proclamação da Páscoa e Missa de Aleluia. As festividades na comunidade se encerram com a missa da Ressureição, às 10 horas, no domingo de Páscoa, dia 21.

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Violência mata mais de 150 mil jovens em duas décadas

Número é maior do que a população de Itapetininga em 2010

Até quando mataremos nossos jovens?

Em 20 anos, mais de 155 mil jovens foram mortos por armas de fogo no país. A informação consta de levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria, divulgado no mês de março, e aponta quase 10 mil vítimas em 2017 (9.936). Em 2016, segundo a SBP, foram registrados 9.517 óbitos. Ou seja, em apenas dois anos, quase 19,5 mil pessoas jovens foram assassinadas no Brasil por armas de fogo.
          Este triste número de vidas jovens ceifadas pela violência é maior do que a população de Itapetininga registrada no último Censo do IBGE, que foi de 144.377 habitantes, no ano de 2010, e também chega próximo à população do município estimada para o ano de 2018, que é pouco mais de 162 mil pessoas.
          Ainda para efeito de comparação, o número de vítimas supera em quase 35 mil a população estimada da cidade de Tatuí, que é de pouco mais de 120 mil pessoas.
Não é à toa que, segundo o levantamento da SBP, em nosso país, a cada 60 minutos uma criança ou adolescente morre em decorrência de ferimentos por arma de fogo. Nas últimas duas décadas, mais de 155 mil jovens, com idades entre zero e 19 anos, faleceram em consequência de disparos acidentais ou intencionais, como em casos de homicídio ou suicídio.
Segundo o levantamento da entidade, que considerou os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, em 2016, foram registrados 9.517 óbitos. O número é praticamente o dobro do identificado há 20 anos (4.846 casos, em 1997), representando em números absolutos o pico dessa série histórica.
Para a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, é imprescindível que as autoridades assegurem a paz e a integridade dos jovens e daqueles que cuidam de seu bem-estar. “O País precisa de medidas efetivas para aumentar a segurança das nossas crianças e adolescentes, e também dos profissionais que os acompanham nas escolas, nas unidades de saúde, nos centros desportivos e outras instalações do tipo”, defendeu.

Despesas
A SBP contabilizou ainda as despesas diretas do Sistema Único de Saúde (SUS) com os pacientes atendidos em virtude do contato com armas de fogo. Nos últimos 20 anos, as internações de crianças e adolescentes provocadas pelos disparos custaram mais de R$ 210 milhões aos cofres públicos.
“Os custos diretos decorrentes desses atendimentos estão atingindo níveis recordes. Obviamente, que foi um investimento para salvar vidas, o que é justificável. Porém, se esses casos tivessem sido evitados, esses recursos poderiam ter tido outro destino no SUS. O pior, no entanto, não é a conta, mas as sequelas físicas e emocionais – muitas vezes irreversíveis – que cada um destes episódios de agressão deixa na vida das crianças e dos adolescentes envolvidos, bem como em suas famílias e na comunidade”, ressaltou a presidente da SBP.
No esforço de destrinchar esse fenômeno, a SBP procurou analisar os dados oficiais em busca de outra informação relevante: a motivação dos disparos que levaram a óbitos e sequelas. Os números mostram que a principal causa de mortes por armas de fogo na faixa etária analisada está relacionada a homicídios. Isso ocorre em 94% dos registros.
Com percentuais muito inferiores aparecem as intenções indeterminadas (4%), os suicídios (2%) e os acidentes (1%). Quando se busca o motivador das internações hospitalares por ferimentos com armas de fogo, as tentativas de homicídio permanecem no topo do ranking (67%), seguidas, no entanto, do expressivo volume de acidentes (26%).
Ao confrontar os dados com a realidade nacional, o secretário do Departamento de Segurança da SBP, Danilo Blank, destaca que a série histórica registra uma sensível desaceleração no total de óbitos e internações por armas de fogo no período que se seguiu à entrada em vigor do Estatuto do Desarmamento, em 2003.
“Isso quer dizer que, se admitirmos que a redução das mortes e ferimentos se deve efetivamente ao Estatuto do Desarmamento – já que não parece ter havido outra variável em jogo – quaisquer causas sociais que tenham posteriormente determinado uma nova onda de aumento nos números de homicídios simplesmente não parecem ter afetado as mortes e traumas não intencionais, que são um problema extremamente pertinente à defesa da saúde da criança”, destacou.
O Departamento de Segurança da SBP enfatiza ainda que, de acordo com sólidas evidências da literatura especializada, a prevenção de mortes por armas de fogo se baseia principalmente na redução do acesso a essas armas nas comunidades. Um dos mais recentes trabalhos nesta linha partiu do American College of Physicians (ACP), que encoraja os médicos norte-americanos a aconselharem seus pacientes sobre o risco de ter armas de fogo em casa, particularmente quando há crianças e adolescentes presentes. “A violência por armas de fogo é uma ameaça à saúde pública nos Estados Unidos que não pode continuar”, se posiciona a entidade em documento oficial 
“Quanto mais disponíveis as armas de fogo, maior o número de mortes. Todos os esforços têm que ser empreendidos para fortalecer o Estatuto do Desarmamento no Brasil e limitar ao máximo a posse o porte de armas de fogo”, defendeu Blank.

Violência também atinge a mulher
A violência no Brasil atualmente parece ser uma chaga que atinge toda a sociedade brasileira, não se limitando apenas aos jovens. Os números da violência contra a mulher, assustam e jogam por terra a imagem de país pacato e tranquilo. O que há de errado com o nosso país? Em 2017, batemos um triste recorde, com mais de 63 mil assassinatos. São números comparáveis aos de países em guerra. Só para se ter uma ideia, na Guerra da Síria, entre 2011 e 2017, mais de 330 mil pessoas morreram, o que dá cerca de 55 mil por ano, bem menos do que foi registado no Brasil em um único ano.
          A situação é alarmante. Especialistas lembram que por trás dos números estão vidas destruídas. Há muita informação na internet sobre o tema e. embora possa haver pequenas diferenças entre os números apresentados por diversas fontes (até porque muitos casos não são denunciados), o certo é que a violência vem aumentando no país e as mulheres estão entre as principais vítimas. Até a conceituada Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos, em uma tradução livre), afirmou em relatório divulgado no começo deste ano que a violência doméstica é “uma epidemia” no Brasil. Segundo a organização, há mais de 1 milhão de casos de agressões contra as mulheres pendentes na justiça brasileira. A HRW, porém, aponta a Lei Maria da Penha como um importante instrumento no avanço do combate a esta situação de violência.

A violência em números
O 12º Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgado em agosto de 2018 mostra que em 2017 o Brasil teve 221.238 registros de violência doméstica, o que significa 606 casos por dia. São registros de lesão corporal dolosa enquadrados na Lei Maria da Penha. É a primeira vez que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública tabula esses dados. De acordo com o anuário, o país registrou 63,8 mil assassinatos em 2017, um triste recorde, como já dissemos.
Os números de violência contra a mulher devem ser ainda maiores, já que Distrito Federal, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso e Roraima não informaram os dados. As piores taxas estão em Santa Catarina, com 225,9 casos a cada 100 mil habitantes, seguida por Mato Grosso do Sul (207,6) e Rondônia (204,9). O fórum também contabilizou o número de mulheres vítimas de homicídio no ano de 2017: 4.539 (aumento de 6,1% em relação a 2016). Desse total, 1.133 foram vítimas de feminicídio, ou seja, morreram simplesmente por serem mulheres.

Diálogo e respeito
          No que diz respeito ao impacto da violência em nossos jovens, a educadora Fabiana, de 43 anos, acredita que esta situação torna os jovens “mais suscetíveis aos seus efeitos (da violência) e ao mesmo tempo menos empáticos”. Para ela, professores e pais devem abordar o assunto com o alunos e filhos, “favorecendo o diálogo, promovendo a construção de relações de respeito às diferenças e afetividade”.
          Ela afirma ainda que a Educação pode ajudar o aluno a enfrentar a violência “tornando-o uma pessoa mais segura e com a capacidade de se colocar no lugar do outro, para que sempre se promova o diálogo e o debate”. A educadora observa ainda que é possível prevenir outros ataques a escolas, “mas não acredito que seja com a presença de armas ou policiais”. Para ela, a violência nas escolas “é uma questão de políticas públicas como um todo, iniciando sempre pela Educação”.
         
Referências positivas
Para a psicóloga Laís Vieira de Campos, 36 anos, “a violência é um fenômeno intrínseco a qualquer sociedade humana, ao longo de toda história. Atualmente, temos visto rápidas mudanças culturais que, por um lado ampliaram a liberdade e a permissividade, e por outro, aumentaram o controle e as relações de poder. Eu diria que nossa sociedade vem explicitando mecanismos muito perversos de funcionamento. Os jovens estão num momento de transição e precisam de referências positivas que os auxilie nas difíceis escolhas que terão pela frente. Acredito que uma família e um contexto social que seja acolhedor às angústias desses jovens, que os ouça e que também ofereça balizas seguras onde eles poderão se apoiar, terá relações mais saudáveis e menos violentas”.

Respeitando as diferenças
          Na avaliação de Laís, respeitar as diferenças é um fator importante para que o adolescente não se sinta isolado e desprezado, descarregando essa frustração contra colegas e professores. “Permitir que cada um possa se expressar, ter voz; ampliar os espaços de troca, de ouvir e ser ouvido, e as formas de corresponder, de comunicar; provocar reflexões apontando as micro violências que existem no dia-a-dia, nas relações interpessoais e institucionais; propiciar meios de valorizar cada um e os coletivos em seus aspectos positivos e produtivos, para que eles se sintam reconhecidos nesses espaços - são algumas formas de auxiliar nessa inclusão. Diria que essas são tarefas incansáveis de todos nós, em todos os espaços que precisamos conviver”, finaliza a psicóloga.

Veja matéria completa na edição deste mês da revista Hadar

quarta-feira, 20 de março de 2019

“O ser humano será responsável pela falta d’água, se nada for feito”

Consultor diz que é preciso atitudes 
sérias, mas sempre é possível salvar um rio

Sudão: país enfrenta a escassez de água potável

Para o administrador de empresas e consultor em Saneamento Ambiental José Aurélio Boranga, “o ser humano será responsável pela falta d’água no planeta, se não forem tomadas atitudes sérias para a utilização racional”. Boranga, que é ex-presidente e conselheiro vitalício da ABES - Associação Brasileira de Saneamento Ambiental, concedeu entrevista exclusiva à revista Hadar e ao blog Marconews. Veja agora os principais trechos da entrevista
          Para Boranga, entre as iniciativas para levar água potável às pessoas, está a necessidade de que “os governos ampliem os mecanismos para criação de uma consciência coletiva de que a água é um produto escasso e precisa ser usado de forma racional, evitando qualquer desperdício. É preciso intensificar a todos os níveis da sociedade, informações que criem esta consciência. Na minha opinião isso tem que ser feito a partir da pré-escola, atingindo toda a cadeia educacional e a partir daí o restante da população”. O consultor destaca ainda: “medidas que também penalizem as pessoas, que mesmo após intensas campanhas permanentes de conscientização insistam em desperdiçar água, precisarão ser adotadas”.

Alternativas
“Outra fonte, que é utilizada em alguns países onde a escassez de água já é muito severa, é o processo de dessalinização das águas dos oceanos. Já existe também tecnologia disponível para reutilização dos esgotos em diversas atividades, como lavagem de pátios, irrigação de jardins urbanos, nos processos industriais, etc..., onde hoje se utiliza água potável”, afirma Boranga.
          Ele é enfático ao dizer sobre a responsabilidade da falta de água no planeta. “O ser humano será o responsável pela falta de água no planeta, se não forem tomadas atitudes sérias para a utilização de forma racional, conforme disse acima. Mas também será o ser humano o responsável pelos avanços tecnológicos que permitirão tornar o processo de dessalinização dos oceanos mais acessível, pois hoje isso é caríssimo. Será o ser humano responsável pelo reaproveitamento das águas de esgoto, inclusive para torná-la potável. A humanidade é dona do seu destino, caberá a ela decidir se quer sucumbir por falta de água ou dar a volta por cima é transformar o mundo num lugar melhor do que é hoje”.

Guerra por água
          Citando fatos históricos, Boranga lembra que a “guerra por causa da água não é novidade. Suméria (atual Iraque/Kuwait) - 2.500 A.C - a primeira guerra que se tem conhecimento que teria sido causada por água aconteceu às margens do Rio Eufrates, região onde fica o atual Iraque. Acredita-se que o rei da cidade-Estado de Lagash, tenha desviado o curso do rio e deixado outra cidade, chamada Umma, sem água, o que teria gerado uma disputa entre as cidades pelo mineral vindo do rio. Sudão, 1963. Até os dias de hoje a falta de água foi um dos fatores que impulsionaram o conflito que já matou milhões de pessoas na guerra civil entre Sudão e Sudão do Sul. Os pesquisadores apontaram a água como um dos principais motivos, estando entre motivações políticas, econômicas e sociais. Turquia - 1998 e 2003 - não foi exatamente uma guerra, mas acredita-se que em 2003 houve uma disputa de bastidores entre forças americanas, curdos e turcos com relação à água dos rios Tigre e Eufrates, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque. Em 1998, a Síria e a Turquia também teriam passado por forte tensão pelo mesmo motivo”.

Estudo
Segundo Boranga, “um estudo da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, mostra a relação entre a escassez de água e guerra. Analisando o fenômeno El Niño, que em ciclos de três a sete anos provoca aumento na temperatura e diminuição no volume de chuvas, os pesquisadores descobriram que, nos 90 países tropicais afetados pelo fenômeno climático entre 1950 e 2004, o risco de uma guerra civil dobrou, passando de 3% para 6%. Algumas guerras já foram iniciadas por causa da água na história. Claro, se a humanidade não se conscientizar que a água é um bem escasso, poderemos ter conflitos sangrentos por conta disso”.

Brasil
          José Aurélio Boranga afirma que, no Brasil, “já existem grandes projetos de reversão de Bacias Hidrográficas, para atender demandas de consumo. Um exemplo bastante conhecido e recente, foi a reversão de Bacia do São Lourenço, que traz água do Vale do Ribeira, para reforçar o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo. Na verdade, toda a Região Metropolitana de São Paulo, cuja disponibilidade de recursos hídricos/por habitante/dia é a mais baixa do país, é abastecida por recursos hídricos, na sua grande maioria, importados de outras bacias, através de reversão”.
          Sobre a poluição dos rios, principalmente no estado de São Paulo, o consultor afirma que “com certeza é sempre possível salvar rios degradados. O Tietê não será diferente. Especialmente o Rio Tietê, tem ao longo do tempo diminuído a sua Mancha de poluição, com um grande trabalho feito pela Sabesp”. Segundo Boranga, entre 2010 e 2018, a mancha de poluição do rio caiu de 243 km para 122 km.
          “Então vejamos, que de 2010 a 2018, mais de 120 Km do Rio Tietê, foram despoluídos. Sendo assim, basta eliminar os pontos poluidores, repor matas ciliares, que os rios voltam a ter vida”.
          Para Boranga, existe no país legislação que visa proteger nossas águas, mas falta fiscalização. “A Lei 9.433 de 08 de janeiro de 1997, que ficou conhecida como Lei das Águas, institui a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), que estabelece instrumentos para gestão dos recursos hídricos de domínio federal (aqueles que atravessam mais de um estado ou fazem fronteira. Como por exemplo, o Rio Paraná) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). Os instrumentos da Política Nacional de Recursos Hídricos, são: Planos de Recursos hídricos enquadramento dos corpos de água em classes; Outorga dos direitos de uso de recursos hídricos; Cobrança pelo uso de recursos hídricos; e o Sistema Nacional de informações sobre Recursos hídricos. O que não existe é fiscalização adequada, por parte dos estados/União, com aplicações de penalidades efetivas aos poluidores”.
          Sobre o risco do Brasil ficar sem água, Boranga diz que “a hipótese de ficar sem água para dessedentação humana me parece extremamente remota, considerando as diversas técnicas existentes e já citadas aqui,  como dessalinização de oceanos, etc... O que vejo com muita preocupação, caso a humanidade não se conscientize da necessidade de tratar os recursos hídricos de forma racional, é que estaremos sujeitos a faltar água para produção de alimentos, pois a quantidade de água necessária para produzir comida de qualidade é extremamente alta. Ai sim corremos um risco enorme de acontecerem conflitos gravíssimos entre nações por conta desta escassez. Apenas como curiosidade, segundo a EMBRAPA, a média global de água para produzir um quilo de carne bovina, é de 15,5 mil litros de água. Para se chegar a este número os pesquisadores usam cálculos matemáticos, que levam em conta uma série de fatores. No caso da carne, este cálculo leva em conta, quantidade de água usada na produção dos alimentos que os bois comem, da água que eles bebem, até mesmo da água utilizada na limpeza dos currais onde eles ficam e aí por diante. O resultado obtido nesse cálculo é dado o nome de "Pegada Hídrica do produto". A EMBRAPA, está estudando a Pegada Hídrica da carne no Brasil. Então é de extrema importância que seja conhecida a Pegada Hídrica de cada produto e ter um trabalho para reduzir este valor, para que não falte água para produção de alimentos”, finaliza Boranga.

Ação conscientizadora

          No próximo dia 22 de março, o grupo Eco Maná, em parceria com a prefeitura de Itapetininga, realiza evento no auditório municipal Alcides Rossi, anexo ao Paço, para falar da importância da preservação de rios, nascentes e recursos naturais.
          O projeto Cada Gota Vale acontece a partir das nove horas e tem como objetivo despertar uma consciência ambiental sustentável, aliada com práticas diárias coletivas da sociedade. O evento é aberto a todos. 

terça-feira, 19 de março de 2019

Água: a razão das próximas guerras?

Falta d’água pode gerar conflitos

Rio Itapetininga

          No próximo dia 22, o mundo inteiro comemora o Dia da Água. Para marcar esta data, o Marconews traz duas reportagens especiais sobre a questão do água no planeta e no Brasil. Esta é a primeira matéria.

A Terra, este pequeno planeta azul repleto de vida – incluindo os seres humanos – poderia muito bem chamar-se planeta água. Afinal, 70% da superfície da terra é coberta de água. Apesar deste número impressionante, mais de 95% desse volume todo de água é impróprio para o consumo.
          Os dados oficiais estimam que entre 0,77% e 2,5% de toda água no planeta seja adequado para o consumo. Além disso, a maior parte da água potável se encontra nas geleiras (aproximadamente 80%).
          Isto posto, a primeira conclusão a que se chega é que existe muito pouca água potável no mundo. E a população mundial, que já está na casa dos sete bilhões de indivíduos, não para de crescer. Um dos grandes desafios – se não o maior - para o futuro da humanidade é garantir o fornecimento de água para todos. A água é um bem finito e deve ser usada de maneira consciente. Mas como pedir o uso racional de algo, quando a pessoa não tem acesso a esse algo, mesmo essa coisa sendo essencial à vida?
          Como pedir que crianças sedentas e imundas não tomem a água que precisam, ou deixarem de fazer a higiene pessoal? Como pedir para o agricultor que espera ansiosamente a chuva para plantar e ter o mínimo para sobreviver, que use menos água? Como garantir o acesso de bilhões de pessoas a este bem essencial, mas que deve ser usado com cuidado e respeito?
          Estima-se que 1,4 bilhão de pessoas não tenham acesso a água limpa. E este número pode crescer. Não é à toa que especialistas apontam a água como uma das principais razões para guerra nos próximos anos. Afinal, sem água não há vida. E todos têm o direito à vida!
          Se a situação já é preocupante, a ação do homem torna o quadro ainda pior: poluição de rios, destruição de nascentes, uso irresponsável da água e aquecimento global. Tudo isso é resultado da presença humana no planeta. As cidades surgiram e cresceram perto de rios e lagos. São Paulo, Sorocaba, Itapetininga, Tietê, Salto, estes são apenas alguns exemplos próximos de nós de como as cidades foram fundadas perto de cursos d’água e de como esses rios se tornaram parte da história desses municípios.
          Pena que os municípios não trataram os rios com o devido respeito, despejando toneladas de lixo e esgoto em suas águas, matando quem lhes dá vida!

A água no planeta
          Especialistas apontam para o fato de que, além de ser pouca, a água potável não é distribuída de maneira igual pelo mundo. Em vista disso, existe locais onde a água é considerada um recurso muito valioso. Em virtude dessa desigualdade de distribuição, em várias regiões ocorrem verdadeiros conflitos por água. E esta é uma situação que acontece há muito tempo, desde antes de Cristo, segundo o consultor em saneamento ambiental José Aurélio Boranga (veja esta matéria amanhã).
Além da escassez de água em algumas regiões, existe ainda o problema da baixa qualidade. A poluição causada pelas atividades humanas faz com que a água esteja disponível, porém não esteja própria para o consumo. Estima-se que 20% da população mundial não tenha acesso à água limpa e, segundo a UNICEF, cerca de 1400 crianças menores de cinco anos de idade morrem todos os dias em decorrência da falta de água potável, saneamento básico e higiene.
Diante da importância da água para a nossa sobrevivência e da necessidade urgente de manter esse recurso disponível, surgiu o Dia Mundial da Água. Essa data, comemorada no dia 22 de março, foi criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU) e visa à ampliação da discussão sobre esse tema tão importante. No dia 22 de março de 1992, a ONU, além de instituir o Dia Mundial da Água, divulgou a Declaração Universal dos Direitos da Água, que é ordenada em dez artigos.

1- A água faz parte do patrimônio do planeta;
2-A água é a seiva do nosso planeta;
3- Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados;
4- O equilíbrio e o futuro de nosso planeta dependem da preservação da água e de seus ciclos;
5- A água não é somente herança de nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo aos nossos sucessores;
6- A água não é uma doação gratuita da natureza; ela tem um valor econômico: precisa-se saber que ela é, algumas vezes, rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo;
7- A água não deve ser desperdiçada nem poluída, nem envenenada;
8- A utilização da água implica respeito à lei;
9- A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos de sua proteção e as necessidades de ordem econômica, sanitária e social;
10- O planejamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso em razão de sua distribuição desigual sobre a Terra.

Direito de todos
Como toda a população necessita da água para a sua sobrevivência, em julho de 2010, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou, através da Resolução A/RES/64/292, que a água limpa e segura e o saneamento básico são direitos humanos. Sendo assim, a água de qualidade e o saneamento básico passaram a ser um direito garantido por lei. O uso racional e sua preservação são fundamentais para garantir qualidade de vida para a nossa geração e para as futuras. Faça uso consciente da água!

Bacia do rio Tietê
Segundo especialistas, Grande parte dos rios da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê está poluída de maneira tão grave que suas águas estão inadequadas para a maioria dos usos, como o consumo humano, a pesca e a recreação.
Não é necessário ser especialista em recursos hídricos para notar, por exemplo, que os rios Tietê e Pinheiros estão poluídos. Basta passar por alguma das marginais que o próprio odor fala por si só. Entretanto, as informações disponibilizadas pelo governo assustam por revelar a dimensão e a complexidade desse problema, que não é apenas ambiental, mas também social e econômico.
Mapas que mostram a situação dos rios paulistas divulgados pelo governo apresentam a situação dos rios por meio de um mecanismo chamado enquadramento. Previsto na Política Nacional de Recursos Hídricos, o enquadramento é um importante instrumento de gestão e planejamento ambiental que tem o objetivo de garantir a qualidade da água de maneira compatível a seu uso ao mesmo tempo em que serve como uma sinalização preventiva para que a qualidade não piore. Assim, os rios do Brasil podem ser classificados em quatro diferentes classes, sendo a classe 1 para os rios com as águas de melhor qualidade e a classe 4 para os que estão em situação mais crítica.
A realidade das águas dos rios paulistas é preocupante, principalmente na Bacia do Alto Tietê, próximo à Região Metropolitana da capital. Vale lembrar que o Rio Tietê, que dá o nome da bacia hidrográfica, nasce no município de Salesópolis, e vai se deslocando para a porção noroeste do Estado de São Paulo.
No mapa elaborado pelo governo, a área das nascentes do rio está destacada em verde e, conforme as águas vão se aproximando da urbanizada e populacionalmente concentrada cidade de São Paulo, suas condições vão piorando. Isso acontece igualmente com as demais águas que nascem límpidas em Mairiporã, ao norte, ou Embu-Guaçu, ao sul, e vão sendo degradadas ao se aproximar do seu ponto mais baixo de drenagem, próximo ao Tietê.
A previsão normativa de rios classe 4 é considerada por muitos especialistas um absurdo. Legalmente, as águas desses rios podem ser destinadas somente à navegação e à harmonia paisagística (Resolução Conama nº 357/2005). Para esses críticos, a previsão normativa dos rios de classe 4 representa uma aceitação pelo Estado dessa realidade e, mais do que isso, uma indicação perversa da impossibilidade de reversão desse quadro.
Apesar da situação crítica, muitos acham possível reverter o quadro, através de pressão da sociedade, com a criação de comitês de bacias fortes, com a atuação de técnicos capacitados e lideranças políticas interessadas em resolver o problema de maneira responsável. Só para lembrar: os comitês de bacias hidrográficas são órgãos colegiados, com representantes de vários segmentos da sociedade, que atuam na gestão de recursos hídricos. Os comitês existem desde 1988.
É importante que a sociedade compreenda que os rios poluídos carregam unicamente notícias ruins. Da perspectiva ambiental, isso é obvio. Do ponto de vista social, um rio de classe 4 é uma ameaça evidente à saúde e ao bem-estar da população.  E, em termos econômicos, um rio poluído significa a diminuição da disponibilidade hídrica para diversos usos, o aumento dos custos de tratamento e gastos altíssimos com obras para captar água de outros lugares.

Brasil
O País possui 12% das reservas de água doce disponíveis no mundo, sendo que a Bacia Amazônica concentra 70% desse volume. O restante é distribuído desigualmente para atender a toda população brasileira. O Nordeste possui menos de 5% das reservas e grande parte da água é subterrânea, com teor de sal acima do limite aceitável para o consumo humano.


Represas
          Outra preocupação diz respeito às represas brasileiras. Além do baixo nível registrado em alguns reservatórios em épocas de seca, há agora o medo de que elas se rompam, como aconteceu em Mariana e mais recentemente em Brumadinho. Ambos os casos ocorreram em Minas, com barragens de rejeito aponta para s de minério, mas fica o alerta com relação às represas hidrelétricas.
Autoridades se reuniram em Piraju, no dia 15 de fevereiro para discutir um plano de ação, caso haja ruptura das barragens que ficam na cidade. PM, bombeiros, defesa civil e representantes das usinas de Piraju e Jumirim participaram do encontro. A ação é preventiva; já que as usinas são interligadas pelo mesmo rio e o rompimento de uma barragem teria um efeito cascata, atingindo bairros próximos. Existem cinco usinas na região, sendo que a Usina de Paranapanema é a que tem o risco médio de rompimento.

Amanhã, na segunda parte desta reportagem, consultor aponta para a responsabilidade do homem na preservação das águas