quinta-feira, 23 de maio de 2013

Carros ficam mais seguros a partir de 2014


Com a obrigatoriedade, novas tecnologias, como o airbag
central, poderão ser incorporadas aos veículos nacionais
Até 2014, toda a frota nacional de veículos deverá contar com dois itens de segurança obrigatórios: os airbags (as bolsas infláveis acionadas após impacto e que impedem, por exemplo, que o motorista se choque contra o volante ou o pára-brisa do carro) e o sistema de freios ABS, que impede que as rodas do veículo travem em frenagens mais fortes.
Sancionada em 2009 pelo então presidente Lula, a lei obriga as montadoras de veículos instaladas no Brasil a oferecem estes itens em todos os modelos de automóveis, desde os mais simples aos mais sofisticados. Para analistas do mercado, a principal mudança, além da segurança maior aos proprietários e passageiros, é o barateamento do airbag duplo. Outa importante mudança prevista na lei é a obrigatoriedade da instalação do sistema de freios ABS. Com isso, esse sistema também poderá ter seu custo reduzido, além, é claro de aumentar sensivelmente a segurança nos automóveis.
A lógica é realmente simples. Hoje, em uma mesma linha de montagem, há diferentes configurações de veículos. Inclusive dos modelos que recebem airbag, ABS ou os dois. Ou seja, há carros na mesma linha no qual é necessário montar as peças e componentes para receber tais itens de segurança, e há outros carros que não recebem os equipamentos e, por isso, têm montagem diferente. Com a obrigatoriedade, o processo será simplificado e racionalizado. Com a padronização do processo em toda a linha de produção, incluindo também os fornecedores, a tendência é a redução de custos.
A introdução das bolsas de ar requer outros pré-requisitos e cuidados. Usa dispositivos explosivos, que implicam na mudança dos cintos de segurança dianteiros – que passam a contar com espoletas para disparo dos airbags –, e painéis frontais e volantes – para "acomodar" as bolsas. O ABS nos freios também pede aplicação de componentes e sensores. Um impacto principalmente para os compactos de entrada, segmento mais carente de itens de segurança. "Isso vai obrigar a uma reavaliação da linha de montagem. Significa também mais itens, mais estoque. Uma sistemática da produção que as montadoras já começaram a aplicar para 2014", explica Harley Bueno, da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.
Os fabricantes, é claro, já correm atrás. Inclusive porque, pela Lei, há uma aplicação gradativa do volume de carros que saem da fábrica com os equipamentos.
Em 2010, por exemplo, 8% dos automóveis (os modelos já existentes no mercado) saíram da linha de montagem com os dois itens; o percentual subiu para 10% nos modelos 2011 e 30% em 2012. Para este ano, a meta é que todo lançamento já venha com os airbags e o ABS. A totalidade da frota nacional, tanto modelos já disponíveis quanto lançamentos, só deverá ser atingida mesmo no ano que vem. Embora para muitos seja apenas uma questão de ajustes entre fabricantes e fornecedores, dois modelos muito conhecidos no Brasil podem estar com os dias contados devido à obrigatoriedade da instalação desses itens segurança: o Uno Mille, pelo alto custo da adaptação, e a Kombi, devido a seu projeto defasado.
 
Números
A obrigatoriedade da instalação de airbags e ABS é mais um passo para colocar o Brasil em patamar semelhante aos países mais desenvolvidos, contribuindo para reduzir acidentes e salvando milhares de vidas. Enquanto em nosso país estima-se que 25% dos automóveis e veículos comerciais leves sejam equipados com airbags e somente 15% possuam o ABS, na Europa esse índice chega a 90%, incluindo ainda mais itens de segurança, como o controle de tração. O impacto econômico da obrigatoriedade do ABS e do airbag nos modelos nacionais é mínimo, se comparado com os ganhos sociais que podem gerar os itens no carro. Afinal, os custos com acidentes de trânsito no país são alarmantes. Dados de 2009 do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – estimam que eles geram gastos de R$ 25 bilhões ao ano. Na comparação, um levantamento do Cesvi Brasil – Centro de Experimentação de Segurança Viária – calcula que se o airbag fosse obrigatório só para o motorista desde 2001, 3.426 vidas teriam sido salvas até 2007 – 489 mortes por ano – e 71.047 feridos leves teriam saído ilesos. Isso geraria uma economia de R$ 2,2 bilhões em seis anos aos cofres públicos. E, vale a pena repetir, os números se referem apenas ao airbag para o motorista.
 
Leia matéria completa na edição de junho da Revista Hadar

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