quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Dom Gorgônio fala sobre o tempo do advento

Bispo diocesano manifestou também
preocupação com os grandes eventos de 2014

 
            A igreja católica está vivendo o chamado tempo do Advento, que é a preparação para o Natal, quando os católicos celebram o nascimento de Jesus Cristo. Em entrevista exclusiva para o Marconews, o bispo diocesano Dom Gorgônio Alves da Encarnação Neto (foto) falou sobre o que é o advento e como as pessoas podem se preparar para viver o Natal.
            O religioso comentou ainda as transformações que a igreja tem vivido com o pontificado do Papa Francisco, que vem realizando uma mudança de postura na instituição. Dom Gorgônio manifestou também preocupação com dois grandes eventos que devem ocorrer em 2014 no Brasil: a Copa do Mundo e as eleições presidenciais. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.
 
Advento
O tempo do Advento é de preparação
para o nascimento de Jesus Cristo
            “O tempo do Advento é um tempo santo. É um tempo de espera e de preparação para a vinda de Cristo”, afirmou o bispo, que está à frente de uma diocese que abrange 30 municípios, com uma população de mais de 400 mil pessoas. Dom Gorgônio explica que o Natal é “tempo de renovação, de acolher a Deus; por isso precisamos estar preparados e vigilantes. É também um tempo de renovação, alegria e esperança, pois Cristo está vivo”.
            A melhor maneira do católico se preparar para o Natal, segundo o religioso, “é colocar-se na presença de Deus e abrir seu coração para Deus e para os irmãos”. Acolher a palavra de Deus em família, através da Novena de Natal, e vivenciar esta palavra também são passos importantes na preparação para a festa do nascimento de Jesus Cristo.
            O bispo lembra ainda que nesta época, com o ano novo chegando, é a oportunidade que temos para renovar o espírito e procurar “construir um mundo melhor para todos”.
 
Papa Francisco
Sobre as mudanças que o Papa Francisco vem realizando na Igreja Católica, Dom Gorgônio afirmou que “a Igreja vive em continua transformação, sempre buscando novos meios e linguagem para levar a mensagem de Cristo dentro do contexto do mundo hoje. É um esforço contínuo para estar em plena sintonia com a mensagem e passa-la para o mundo”.
O religioso observa que o Papa tem surpreendido com suas atitudes. “O Papa tem insistido muito que nós precisamos de uma nova evangelização. E essa nova evangelização começa com o nosso testemunho de vida”. Para Dom Gorgônio, o pontífice é o grande incentivador da cultura do encontro. “Ele insiste para que a igreja abra suas portas e acolha as pessoas. Não podemos ter medo de ir ao encontro das pessoas”.
Segundo o bispo, o Papa é um grande incentivador de grupos como as pastorais, que possibilitam que as pessoas participem mais ativamente da igreja. “O cristão precisa se integrar; ter uma vida de missão, de participação”, disse Dom Gorgônio.
 
Justiça
            “O mundo hoje tem sede de Deus, de amor, de justiça, de paz, de liberdade e dignidade”, disse Dom Gorgônio, ressaltando que, “por outro lado, existe também a violência, a soberba, a ganância, a corrupção. É um confronto e a gente terá de superar tudo isso com a palavra de Cristo”. Para o religioso, o mundo é desafiador e a própria família enfrenta dificuldades hoje. Por esta razão, segundo ele, a família será o tema do próximo sínodo da igreja católica, programado para 2014. “A família é a base de tudo; da própria humanidade”, afirmou Dom Gorgônio. Para ele, outro grave problema enfrentado pelo mundo na atualidade é o egoísmo. “O egoísmo hoje é muito grande; quando o homem se coloca no centro de tudo, a coisa se degenera”.
            Mas nem tudo é notícia ruim. A Jornada Mundial da Juventude, realizada este ano no Brasil, inclusive com a presença do Papa Francisco, já começa a mudar alguma coisa, na avaliação de Dom Gorgônio. “Os frutos serão colhidos na continuidade dos anos, mas já percebemos um maior entusiasmo entre os jovens, um despertar do espírito missionário”.
 
Campanha da Fraternidade
            Tradicional iniciativa da igreja no Brasil, a Campanha da Fraternidade 2014 abordará um tema muito sério: o tráfico humano. “A comercialização da pessoa humana é uma realidade muito forte no mundo hoje; ela é sequestrada, ludibriada e arrastada para ser usada como objeto sexual ou no tráfico de órgãos”, afirmou o bispo.
            Até mesmo a Copa do Mundo merece atenção especial neste caso. “Muito vêm para assistir ao evento, mas também pode haver interesses escusos”, observou Dom Gorgônio. A preocupação se estende à questão da violência: “a copa é um evento de confraternização, o brasileiro terá de acolher bem o turista, mas há a questão da violência, que está presente em todos os segmentos da sociedade hoje”,
            Como bom brasileiro, Dom Gorgônio considera o Brasil favorito para a conquista do título mundial. Mas o bispo critica os gastos excessivos com o evento. “Alguns dos estádios não serão usados pela população. São como elefantes brancos. O Brasil tem outras prioridades, como saúde e educação”.
            A eleição presidencial do próximo ano também deverá estar entre os assuntos abordados pela igreja. “Incentivar a consciência política e a cidadania é o papel da igreja. O povo tem de saber escolher, levantar suas bandeiras e cobrar responsabilidades dos governantes”, finalizou Dom Gorgônio.

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