terça-feira, 14 de maio de 2019

Autor volta com nova peça após intervalo de 10 anos

Rogério Sardela fala sobre sua nova montagem

Autor mostra texto da nova peça

          Após um intervalo de uma década, o ator, autor teatral e jornalista Rogério Sardela, de 45 anos, está de volta com uma nova montagem. A peça, cujo elenco foi definido recentemente, trata do cotidiano do trabalhador brasileiro. Uma realidade que Sardela conhece bem já que, por opção pessoal, não se limitou às atividades culturais e exerceu várias profissões em diferentes segmentos. Uma experiencia que ele garante ter sido enriquecedora e importante ajuda para escrever seus textos.
          Nesta montagem intitulada O Salvador da Casa, Sardela, além de ser o autor, também dirige e atua. A comédia deve estrear em setembro deste ano.
          Rogério Sardela falou com exclusividade para o Marconews sobre este novo projeto, sua paixão pelo teatro e sobre o desejo de viver de cultura em um país como o Brasil. Veja a seguir os principais trechos da entrevista.

Paixão

Marconews - O que é o teatro para você? Como surgiu essa paixão?

Rogério Sardela - O teatro - uma das mais antigas formas de expressão do ser humano, uma vez que tem como principal base o próprio corpo. Para mim o teatro é não ter pudores, a oportunidade de vivermos uma vida que não é da gente. No popular, o ator empresta seu corpo para a personagem, como se outro alguém se manifestasse através dele, não mesmo? Minha primeira experiência se deu por volta de 1990/1991, quando fiz figuração na Paixão de Cristo, dirigida pelo saudoso Antonio Balint (diretor de teatro itapetiningano já falecido), mas um pouco antes, havia assistido ‘As Desgraças de Uma Criança’, de Martins Pena, no Clube Recreativo Itapetiningano. De alguma forma aquilo ficou marcado.

Marconews - Há quanto tempo você escreve peças e participa de montagens?
Rogério Sardela - Oficialmente desde 1993 como ator. O lado escritor de peças a partir de 1996.
Marconews - Você disse recentemente que passou por várias experiências profissionais. Esta pluralidade de experiencias o ajuda no trabalho de escrever peças?
Rogério Sardela - Sim. O fato de ter trabalhado em diferentes áreas inspira na criação de personagens, seja de minha própria obra ou na composição de vidas escritas por outros escritores. Fatos do cotidiano, verídicos ou não, também podem servir de ponto de partida para algum momento do autor/ator.
 
Rogério com o filho, Fernando
Marconews - É possível viver da Cultura no Brasil? E no seu caso, viver do teatro?
Rogério Sardela - Pergunta muito difícil de ser respondida, pois o artista no Brasil, com exceção de cantores e atores midiáticos, muitas vezes trabalha por ‘amor à arte’, mas não se pode esquecer que por trás da personagem está o ator, que antes de estar no teatro, é cidadão comum, pai de família, solteiro, enfim, alguém que também batalha para o seu sustento e paga suas contas. O momento no palco pode ser mágico, mas ninguém vive só de aplausos. Gostaria de viver de teatro, mas sei que a realidade é outra. Não digo que seja impossível. Cada um tem seu ponto de vista.

Marconews - Depois de um intervalo de uma década, você voltou a escrever. Por que esse período tão grande de intervalo? E por que decidiu voltar agora?
Rogério Sardela - O último texto foi em 2009 – o monólogo ‘Revelações de Um Cinquentão’, encenado em 2010. De lá para cá fui fazer outras coisas. Nunca me limitei a ser apenas jornalista, ator ou escritor. Queria mais. Então neste intervalo passei no concurso para ser Conselheiro Tutelar (que durou até 2015, quando terminou o mandato). Mesmo enquanto estava como conselheiro, entre 2012 e 2013 me profissionalizei como Técnico em Segurança no Trabalho. Em 2016 fui assessor de imprensa do Clube Recreativo Itapetiningano, mesmo ano em que disputei as eleições para vereador. Havia iniciado algumas linhas de meu novo texto para o teatro, mas com a loucura das eleições, parei com o texto, já que o foco era outro. A falta de tempo me tirou o ‘tempo’ para o teatro. Não fiquei ausente porque quis. É curioso e ao mesmo tempo gratificante que mesmo estando tanto tempo fora dos palcos, em 2018 recebi vários convites para participar de peças, como do Paulinho Carriel, Angelo Ricchetti e Fábio Jurera.

Marconews - Do que trata a peça que está montando? Como está o trabalho de captação de recursos para a montagem? Já tem elenco escolhido? Quando é a estreia?
Rogério Sardela- A peça retrata o cotidiano do brasileiro, especialmente a classe trabalhadora. Neste caso, tudo acontece numa república, onde três homens sem qualquer parentesco expõem as dificuldades enfrentadas para ganhar o pão de cada dia. Um deles vive de bicos e do Bolsa-Família. O outro é professor em escola estadual e o terceiro vendedor em lojas de calçados, além de ser fã incondicional de Michael Jackson. É uma comédia, que cita inclusive coisas e pessoas de Itapetininga. O ponto alto da história será o final. Daí a justificativa para o título da peça ‘O Salvador da Casa’. O trabalho para captação de recursos vai começar, mas para isso é preciso programação, inclusive de estreia. Sim, já tenho o elenco. Além de mim, que estarei dirigindo e atuando, tem também a participação dos atores Magnus Machado, Sérvulo Santos e José Ferreira. O espetáculo deve estrear no máximo em Setembro.

Marconews - Se pudesse, o que faria para impulsionar/incentivar a cultura em Itapetininga e Região?
Rogério Sardela - Nossa cidade merece o seu tão sonhado teatro municipal. Como disse em outra ocasião, o que existem são espaços improvisados, não desmerecendo nenhum, e o teatro do Sesi, maravilhoso, mas privado. Balint dizia que lutaria com os grupos para que Itapetininga fosse conhecida como a ‘Terra do Teatro’, assim como Tatuí é a ‘Terra da Música’. Se pudesse lutaria para conseguir esse título (e é possível), levaria o teatro para a periferia, para todas as escolas. Como diz a canção, ‘o artista tem de ir aonde o povo está’, mas sozinho não se faz nada. É preciso parcerias, oferecer condições.

Marconews - Como avalia a política cultural em Itapetininga?
Rogério Sardela - Em termos de teatro os grupos estão trabalhando e levando Cultura para a população. Muito já foi feito para que o cidadão vá ao teatro, mas ainda existe uma certa resistência, aquela velha conversa: ‘não gosto de teatro’. Acho um absurdo, como se as telenovelas não fossem feitas por atores, só diferindo na forma de transmissão. As novelas são gravadas. O teatro é ao vivo.

Texto: Marco Antonio
Fotos: Arquivo pessoal

5 comentários:

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  2. Parabéns e obrigada por compartilhar novamente esse talento conosco!!! Q Deus o abençoe sempre e muito sucesso!!!

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  3. Parabéns Rogério pelo seu talento e pela sua história de vida. Continue firme na luta pela realização de seus sonhos, e nós aqui torcemos pelo seu sucesso!!!

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  4. Agradeço de coração pelos comentários carinhosos de amigos e leitores que são motivos de continuar sempre.Vocês são meu grande incetivo!

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